UM ESPAÇO DEDICADO À PINTURA E À ESCRITA ESPAÇO DE PARTILHA COM TODOS OS MEUS AMIGOS DE TODOS OS CANTOS DESTA NOSSA TERRA, DIGO, PLANETA TERRA, POIS, POR ENQUANTO, AINDA SÓ SONHO COM AS OUTRAS GALÁXIAS...E FICO COM OS PÉS FIRMES POR AQUI...
sexta-feira, abril 15, 2011
Um país pronto para aceitar novos grilhões
Os últimos dias foram uma catadupa de acontecimentos memoráveis. Um excesso quase narcótico, uma bebedeira incapacitante. De que é que vou lembrar-me, daqui a uns anos, lúcido, quando tentar recordar estes dias em que Portugal capitula ao agiota estrangeiro? Vou lembrar-me de que a voz de comando neste país parece ser a de Ricardo Salgado, o líder da família banqueira que sobrevive a todos os regimes e que foi capaz de, em 24 horas, com uma simples frase, pôr o Governo a adorar o FMI que antes tantas vezes renegara. E alvitro que Fernando Ulrich, banqueiro rival, fartinho de apelar à mesma intervenção, sem êxito, deve estar a matutar nesse facto. Vou lembrar-me do apelo de 47 personalidades para um amplo consenso nacional que resolva os problemas do País. Olho os nomes e vejo gente que, à conta de supostos "grandes consensos nacionais" como a entrada na CEE, o fim do escudo, a "modernização" da nossa economia, o betão e as auto-estradas, a Expo '98, o Euro 2004, a proliferação de fundações e institutos de coisa alguma ou o pagamento de subsídios para deixar de produzir, participou alegremente na caminhada para o precipício a que chegámos. Como se atrevem a pedir consenso quando o que precisamos, agora mais do que nunca, é de discussão e de procura de novas soluções? Vou lembrar-me de o encontro entre Jerónimo de Sousa e Francisco Louçã ocorrer horas antes de vário comissários europeus, em disparos mediáticos, exigirem aos partidos portugueses - para concederem o que, talvez por ilusão, talvez por cinismo, qualificam de "ajuda" - obediência cega à lei da sangria financeira das classes trabalhadoras portuguesas. Vou lembrar-me de Fernando Nobre, putativo candidato do PSD a segunda figura do Estado, o homem que jurava na eleição presidencial não alinhar em partidos, para confirmar a suspeita de que o pior da política ainda está por conhecer e bem pode vir de fora dos partidos políticos. Vou lembrar-me do congresso do PS e de como o actor José Sócrates tenta salvar a pele do político José Sócrates. Vou lembrar-me do segundo referendo na Islândia, o país atrevido que volta a recusar pagar uma dívida cobrada a juros imorais. E vou lembrar-me de uns velhos versos de Almeida Garrett, sobre a traição a Viriato, o lusitano: "Pátria!... não temos pátria... Oh! Não há para nós tão doce nome. Grilhões, escravos, cárceres e algozes De quanto outrora fomos, Isto só nos restou, só isto somos." PEDRO TADEU
Ninguém ajuda ninguém. No sistema não existe o verbo ajudar. É um negócio que pretendem realizar com o sangue, suor e lágrimas dos Portugueses. Mas, nem por isso, Portugal deixou de existir ao longo de quase oito séculos. Somos os réis da sobrevivência. Que acolhemos, em nós, o gérmen da traição é um facto evidente. Os Miguel de Vasconcelos são tantos que nem vale a pena enumerá-los.
1 comentário:
DAD,
Ninguém ajuda ninguém. No sistema não existe o verbo ajudar. É um negócio que pretendem realizar com o sangue, suor e lágrimas dos Portugueses. Mas, nem por isso, Portugal deixou de existir ao longo de quase oito séculos. Somos os réis da sobrevivência. Que acolhemos, em nós, o gérmen da traição é um facto evidente. Os Miguel de Vasconcelos são tantos que nem vale a pena enumerá-los.
Um beijo.
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