domingo, abril 03, 2011

O homem errado no momento que podia ter sido certo


José Sócrates teve condições únicas para reformar Portugal: uma maioria absoluta e um povo disposto a fazer sacrifícios. E nenhum partido como o PS tem ou tinha em Portugal condições para reformar o sistema com menor turbulência social e política. Mas a verdade é que Sócrates e o PS falharam porque Sócrates foi o homem errado no momento que podia ter sido certo. Afastou do Governo homens que, como Luís Campos e Cunha, não abdicavam da sua opinião, rodeou-se de apparatchiks, yes minister’s e, a partir de 2009, sentou no conselho de ministros a mais completa colecção de jarrões de sala que alguma vez se viu em Portugal em volta de uma mesa. Decapitou a administração pública tornando-a um bando de zombies que sonha com a reforma enquanto cumpre os procedimentos ditados pelos boys. As circunstâncias pessoais de José Sócrates e a forma como foram investigados os casos em que o seu nome é referido, como o Freeport, Face Oculta e Cova da Beira contribuíram decisivamente para o descrédito das instituições, nomeadamente da Justiça. Pouco a pouco as instituições foram ficando cativas de Sócrates. Depois foi a vez do PS. No fim foi o próprio regime que ficou em causa: não só as eleições passaram a ser entendidas como uma ameaça à estabilidade do país como a própria manifestação da discordância política foi apelidada de anti-patriótica. É a segunda vez que o PS entende por resgate do país o seu próprio resgate (a primeira foi aquando do escândalo Casa Pia). O país e o regime são mais importantes que o PS e o PS é mais importante que o seu líder. O PS teve mais do que uma oportunidade de afastar Sócrates. Não o fez. Paga agora o preço dessa falta de sentido crítico. Esse preço poderá ser alto para o PS mas será, sem dúvida, muito mais caro para Portugal. A oportunidade perdida protagonizada por Sócrates foi um desastre para todos nós.


( Artigo da Helena Matos no Público)

5 comentários:

Paixão Lima disse...

Diz o Povo que atrás de mim virá quem pior fará. Quem manda na casa são aqueles que a habitam.
Beijo.

SOL da Esteva disse...

São necessários instrumentos que permitam dizer que o rei vai nu e que, este e os seus "nobres" se retirem para aposentos onde não mais se vejam.
... É que a dignidade é coisa que se cultiva e a humildade é coisa com que se nasce.

Artigo da Helena Matos, que toca na essência do que nos acontece a cada dia, sem sinais de Paragem deste autocarro.

Beijo
SOL

Laura disse...

Oh Dad, sabemos lá quem é o homem certo para tirar isto da desgraça onde está...sabemos lá...

Que venha ele e que haja mudanças com cabeça para que possamos ir andando, pelo menos...

Um beijinho da laura

Paixão Lima disse...

Tema para reflexão: o Público é um jornal com alguma qualidade (já teve mais), mas com poucos leitores. Apesar de acumular prejuízos todos os anos, o Jornal subsiste porque pertence a um dos grupos económicos mais poderosos do nosso País. É da história recente que o Engº. Belmiro de Azevedo, o dono do Público, não vai com a cara do Engº. Sócrates. E não é por serem ambos engenheiros, sendo que um é verdadeiro e o outro não se sabe. A divergência não tem a ver com diplomas académicos. Acontece que o Engº. Belmiro aponta o dedo a Sócrates como responsável pelo fracasso da OPA imposta pela Sonae à PT. Pessoalmente, gostaria que a OPA tivesse sucesso, porque a Sonae é a única grande empresa do norte. Acham que seria permitido à bonita articulista acima referida, escrever o contrário daquilo que escreveu ?! Isto é, escrever uma ode laudatória ao Sr. Sócrates ?! Tudo não passa de «política económica».
Um beijo.

Je Vois la Vie en Vert disse...

Não fui eu que o elegi mas já estou a sentir na pele o resultado de todos os seus erros. Só que eu posso sentir na pele, aguento isso ! Mas estou a pensar naqueles que já tinham pouco e ficam com quase nada...
beijinhos, amiga Dad.
Verdinha