domingo, março 27, 2005

PARA SOFIA

Habitaste nas cidades,
mas sempre te vi,acompanhada de deuses e duendes,
caminhando na areia,na orla de espuma, entre as ondas do mar.
Por isso apenas adormecida te vejo,
Princesa do olhar de lume e de brancura.
A escuridão as tuas liras desvendaram,
seus fios de seda perscrutaram e os seus segredos de luz guardaram.
Em ti, as brisas respiraram o seu fulgor mais doce,
e, nos caramanchões, as glicínias desabrocharam.
No mar, na sua infinitude, as algas desfrutaram o seu fulgor mais azul,
as conchas, os búzios deixaram os seus recados,a lua dedilhou as suas pérolas,
o vento desnudou a sua cintura de limos e Terpsícore dançou.
Habitaste as cidades, mas sempre te vi rodeada de espuma e praias de rosadas auroras.
Por isso adormecida te vejo, nos teus castelos de silêncio,
Princesa, em teu mar ardente de ondas e frescura.
Em ti, clamam os dias e as noites mais antigas,
e, nos teus versos, de helénicas tranças,
as árvores e o sol nunca deixaram de chorar as sombras puras.

Maria do Sameiro Barroso