quinta-feira, dezembro 02, 2010

1871 ou 2010?


Em as “FARPAS” de Eça de Queirós

escrito em 1871
"Nós estamos num estado comparável sómente à Grécia:
mesma pobreza, mesma indignidade política, mesma trapalhada económica,
mesmo abaixamento de caracteres, mesma decadência de espírito.
Nos livros estrangeiros, nas revistas quando se fala num país caótico e que
pela sua decadência progressiva, poderá... vir a ser riscado do mapa da Europa.
Citam-se a par, a Grécia e Portugal".
“O país perdeu a inteligência e a consciência moral.
Os costumes estão dissolvidos, as consciências em debandada,
os carácteres corrompidos.
A prática da vida tem por única direcção a conveniência.
Não há princípio que não seja desmentido.
Não há instituição que não seja escarnecida.
Ninguém se respeita. Não há nenhuma solidariedade entre os cidadãos.
Ninguém crê na honestidade dos homens públicos.
Alguns agiotas felizes exploram.
A classe média abate-se progressivamente na imbecilidade e na inércia.
O povo está na miséria.
Os serviços públicos são abandonados a uma rotina dormente.
O Estado é considerado na sua acção fiscal como um ladrão
e tratado como um inimigo.
A certeza deste rebaixamento invadiu todas as consciências.
Diz-se por toda a parte: o país está perdido!”

4 comentários:

Santos Oliveira disse...

Dad

Na visão da sua Época, Eça de Queirós e outros, fizeram a ante-visão dos tempos de hoje, com uma clareza espantosa.

Se fosse Mago, Bruxo ou Cartomante, certamente, nos dias de hoje, far-se-iam filas de "crentes".

Infelizmente e com alguma dignidade só nos resta o verdadeiro Fado (cantado e musicado) que mais nenhum povo sabe, tão bem, cantar.

É o destino que nos coube em sortes (pouca sorte!!!).É o Fado!

Beijo
Santos Oliveira

Laura disse...

Haja esperança que um novo fado há-de surgir para abalar a nossa terra e os bons e valorosos tempos, ressurgir...

laura (Dadinha, beijinho pa ti e para aquele rapaz que te trás de cabeça à roda que te descuidas dos blogues, só podia ser..Um dia vou saber o que é ser avó!...)

Paixão Lima disse...

Não subscrevo Eça de Queirós quando acaba afirmando que «o país está perdido». Recuso-me a considerar «perdido» um dos países mais antigos da Europa, com quase nove séculos de existência. Fomos o País dos navegadores que descobriram novos mundos ao mundo. Pouco do mundo deixamos de descobrir. As dificuldades porque temos passado ao longo da nossa história é o preço que temos de pagar pela nossa independência. Com a nossa sensibilidade e poder criativo, inventámos um novo vocábulo a que corresponde um sentimento bem português a «saudade». Quanto ao fado (de origem mourisca) é uma expressão cultural que muito aprecio. Mas até no fado se revela a grandiosidade da alma portuguesa na sua imensa tristeza.
Um beijo, Amiga.

Norberto disse...

Tudo vai melhorar!
Mas enquanto isso,vamos nos deliciando com boa música ,as pinturas da querida Dad e os poemas do querido André Moa.

Bjs
Norberto macedo