sexta-feira, fevereiro 17, 2012

Governo prepara encurtamento da Páscoa:



Depois de ter acabado com o Corpo de Deus, 15 de Agosto, 5 de Outubro, 1 de Dezembro e de não ter dado tolerância de ponto aos funcionários públicos no Carnaval, Passos Coelho prepara uma pequena alteração ao ano litúrgico, nomeadamente a Semana Santa, de forma a obter uma versão da Páscoa mais adaptada a um país que quer ser mais competitivo.

"A Última Ceia a uma quinta-feira é coisa de garoto mimado e irresponsável que chula os pais e o Estado. Acabou-se a Sexta-Feira Santa e a Última Ceia passa a lanche ajantarado no sábado até às 23 horas, no máximo. Domingo de Páscoa passa a ser o dia do julgamento, paixão, crucificação, morte, sepultura e ressurreição.

Também Jesus Cristo tem de deixar de ser piegas!", revelou Passos Coelho.

domingo, fevereiro 05, 2012

Poema de agradecimento à corja-Poema de Joaquim Pessoa



Obrigado, excelências.
Obrigado por nos destruírem o sonho e a oportunidade de vivermos felizes e em paz.
Obrigado pelo exemplo que se esforçam em nos dar de como é possível viver sem vergonha, sem respeito e sem dignidade.
Obrigado por nos roubarem. Por não nos perguntarem nada.
Por não nos darem explicações.
Obrigado por se orgulharem de nos tirar as coisas por que lutámos e às quais temos direito.
Obrigado por nos tirarem até o sono. E a tranquilidade. E a alegria.
Obrigado pelo cinzentismo, pela depressão, pelo desespero.
Obrigado pela vossa mediocridade.
E obrigado por aquilo que podem e não querem fazer.
Obrigado por tudo o que não sabem e fingem saber.
Obrigado por transformarem o nosso coração numa sala de espera.
Obrigado por fazerem de cada um dos nossos dias um dia menos interessante que o anterior.
Obrigado por nos exigirem mais do que podemos dar.
Obrigado por nos darem em troca quase nada.
Obrigado por não disfarçarem a cobiça, a corrupção, a indignidade.
Pelo chocante imerecimento da vossa comodidade
e da vossa felicidade adquirida a qualquer preço.
E pelo vosso vergonhoso descaramento.
Obrigado por nos ensinarem tudo o que nunca deveremos querer, o que nunca deveremos fazer, o que nunca deveremos aceitar.
Obrigado por serem o que são.
Obrigado por serem como são.
Para que não sejamos também assim.
E para que possamos reconhecer facilmente quem temos de rejeitar.
Joaquim Pessoa

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Joaquim Pessoa nasceu no Barreiro em 1948.
Iniciou a sua carreira no Suplemento Literário Juvenil do Diário de Lisboa.
O primeiro livro de Joaquim Pessoa foi editado em 1975 e, até hoje, publicou mais de vinte obras incluindo duas antologias. Foram lhe atribuídos os prémios literários da Associação Portuguesa de Escritores e da Secretaria de Estado da Cultura (Prémio de Poesia de 1981), o Prémio de Literatura António Nobre e o Prémio Cidade de Almada.
Poeta, publicitário e pintor, é uma das vozes mais destacadas da poesia portuguesa do pós 25 de Abril, sendo considerado um "renovador" nesta área. O amor e a denúncia social são uma constante nas suas obras, e segundo David Mourão Ferreira, é um dos poetas progressistas de hoje mais naturalmente de capazes de comunicar com um vasto público.
Bibliografia: "O Pássaro no Espelho", "A Morte Absoluta", "Poemas de Perfil", "Amor Combate", "Canções de Ex cravo e Malviver", "Português Suave", "Os Olhos de Isa", "Os Dias da Serpente", "O Livro da Noite", "O Amor Infinito", "Fly", "Sonetos Perversos", "Os Herdeiros do Vento", "Caderno de Exorcismos", "Peixe Náufrago", "Mas.", "Por Outras Palavras", "À Mesa do Amor", "Vou me Embora de Mim".

terça-feira, janeiro 31, 2012

A LIÇÃO DO REI


Quando é que os banqueiros, milionários, ministros e secretários de estado, administradores e directores gerais, fazem o mesmo ou algo parecido?

Curiosidades...



O Muro das Lamentações em Jerusalém
O muro das lamentações em Portugal

sexta-feira, janeiro 27, 2012

qual é o teu valor de mercado?




"Qual é o teu valor de mercado, mãe? Desculpa escrever-te uma pequena carta, mas estou tão confuso que pensei que escrevendo me explicava melhor.
Vi ontem na televisão um senhor de cabelos brancos, julgo que se chama Catroga, a explicar que vai ter um ordenado de 639 mil euros por ano na EDP, aquela empresa que dava muito dinheiro ao Estado e que o governo ofereceu aos chineses.
Pus-me a fazer contas e percebi que o senhor vai ganhar 1750 euros por dia. E depois ouvi o que ele disse na televisão. Vai ganhar muito dinheiro porque tem o seu valor de mercado, tal como o Cristiano Ronaldo. Foi então que fiquei a pensar. Qual é o teu valor de mercado, mãe?
Tu acordas todos os dias por volta das seis e meia da manhã, antes de saíres de casa ainda preparas os nossos almoços, passas a ferro, arrumas a casa, depois sais para o trabalho e demoras uma hora em transportes, entra e sai do comboio, entra e sai do autocarro, por fim lá chegas e trabalhas 8 horas, com mais meia hora agora, já é noite quando regressas a casa e fazes o jantar, arrumas a casa e ainda fazes mil e uma coisas até te deitares quando já eu estou há muito tempo a dormir.
O teu ordenado mensal, contaste-me tu, é pouco mais de metade do que aquele senhor de cabelos brancos ganha num só dia. Afinal mãe qual é o teu valor de mercado? E qual é o valor de mercado do avozinho? Começou a trabalhar com catorze anos, trabalhou quase sessenta anos e tem uma reforma de quinhentos euros, muito boa, diz ele, se comparada com a da maioria dos portugueses. Qual é o valor de mercado do avô, mãe? E qual é o valor de mercado desses portugueses todos que ainda recebem menos que o avô? Qual é o valor de mercado da vizinha do andar de cima que trabalha numa empresa de limpezas?
Ontem à tardinha ela estava a conversar com a vizinha do terceiro esquerdo e dizia que tem dias de trabalhar catorze horas, que não almoça por falta de tempo, que costumava comer um iogurte no autocarro mas que desde que o motorista lhe disse que era proibido comer nos transportes públicos se habituou a deixar de almoçar. Hábitos!
Qual é o valor de mercado da vizinha, mãe? E a minha prima Ana que depois de ter feito o mestrado trabalha naquilo dos telefones, o "call center", enquanto vai preparando o doutoramento? Ela deve ter um enorme valor de mercado! E o senhor Luís da mercearia que abre a loja muito cedo e está lá o dia todo até ser bem de noite, trabalha aos fins de semana e diz ele que paga mais impostos que os bancos?
Que enorme valor de mercado deve ter! O primo Zé que está desempregado, depois da empresa onde trabalhava há muitos anos ter encerrado, deve ter um valor de mercado enorme! Só não percebo como é que com tanto valor de mercado vocês todos trabalham tanto e recebem tão pouco! Também não entendo lá muito bem - mas é normal, sou criança - o que é isso do valor de mercado que dá milhões ao senhor de cabelos brancos e dá miséria, muito trabalho e sofrimento a quase todas as pessoas que eu conheço!
Foi por isso que te escrevi, mãe. Assim, a pôr as letrinhas num papel, pensava eu que me entendia melhor, mas até agora ainda estou cheio de dúvidas. Afinal, mãe, qual o teu valor de mercado? E o meu?"

COMO É QUE ELES LÁ FORAM PARAR???










quinta-feira, janeiro 26, 2012

Nos tempos em que se ensinava a poupar...irra que não há saudades para tal


"Senhor Presidente, hoje não apanhei o eléctrico; vim a correr atrás dele e poupei oito tostões"
- disse o funcionário público, um contínuo, a querer agradar a Oliveira Salazar.

Respondeu Salazar de imediato: "Fez bem, mas se viesse atrás de um táxi teria feito melhor, porque poupava vinte escudos e chegava mais cedo".

terça-feira, janeiro 24, 2012

Pois é....

O avô conta ao seu neto João as grandes mudanças que aconteceram na sociedade, desde a sua juventude até agora...


«Sabes, João, quando eu era pequeno, a minha mãe dava-me dez escudos, e com isso mandava-me à mercearia da esquina.
Então eu voltava com um pacote de manteiga, dois litros de leite, um saco de batatas, um queijo, um pacote de açúcar, um pão e uma dúzia de ovos..!"
E o João respondeu-lhe:
«Mas avô, na tua época não havia câmaras de vigilância?»

segunda-feira, janeiro 23, 2012

Um ramo de flores silvestres




Ofereceste-me um ramos de flores amarelas,
era o dia especial tão esperado,
deste-me um beijo eu corei atrapalhada,
bons tempos esses da ingenuidade,
que hoje recordo com saudade.
Dad

quinta-feira, janeiro 19, 2012

Meditação... à guiza de poema...



Os sons do infinito numa mensagem de flores
procuram os beijos não beijados,
os abraços tão perdidos no adeus,
os sonhos nunca mais sonhados,
a memória das coisas que passaram,
os amigos que perdemos no caminho,
o esforço, quase sempre sem vitória,
de termos que sonhar sozinho...


Dad

terça-feira, janeiro 10, 2012

ESTRELAS E ESTRELINHAS...


De estrelas e de estrelinhas
De mistérios e saudades
De distâncias e de amor
De felicidade e de dôr
De sonhos breves desfeitos
De pesadelos sonhados
De madrugadas de abraços
E de beijos nunca dados
Se procuram os amigos
Coloridos de paisagens
De breves, curtas imagens
E nas mãos entrelaçados!!
DAD

Manual para 2012





Saúde:1. Beba muita água;2. Ao pequeno-almoço coma como um rei, ao almoço como um príncipe e ao jantar como um pedinte;3. Coma o que nasce em árvores e plantas, e menos comida produzida em fábricas;4. Viva com os 3 E's: Energia, Entusiasmo e Empatia;5. Trabalhe com calma e boa disposição;6. Sente-se em silêncio pelo menos 10 minutos por dia;7. Leia mais livros do que leu em 2011;8. Durma 7 horas por dia; 9. Faça caminhadas de 10-30 minutos por dia, e enquanto caminha sorria. 10. Sorria e ria mais.
Personalidade:11. Não compare a sua vida com a dos outros. Ninguém sabe como é a caminhada dos outros;12. Não tenha pensamentos negativos;13. Não exceda. Mantenha-se nos seus limites;14. Não se torne demasiado sério;15. Não desperdice a sua energia preciosa em maledicências e conversas sobre a vida alheia;16. Sonhe mais;17. Inveja é uma perda de tempo.18. Faça as pazes com o seu passado. Não recorde os erros do passado. Isso destruirá a sua felicidade presente;19. A vida é curta de mais para odiar alguém. Não odeie.20. Seja forte interiormente; saiba estar só;21. Ninguém comanda a sua felicidade a não ser você mesmo;22. Tenha consciência de que a vida é uma escola e que está nela para aprender. Problemas são apenas parte do curriculum, que aparecem e se desvanecem como uma aula de álgebra, mas as lições que aprende, perduram uma vida inteira;23. Não é preciso ganhar todas as discussões. Aceite também a discordância; 24. Não se preocupe com o que os outros pensam de si;
Sociedade:25. Entre mais em contacto com sua família;26. Dê algo de bom aos outros diariamente;27. Perdoe a todos por tudo;28. Passe tempo com pessoas acima de 70 anos e abaixo de 6;29. Tente fazer sorrir pelo menos três pessoas por dia;30. O seu trabalho não tomará conta de si quando estiver doente. Os seus amigos o farão. Mantenha contacto com os seus amigos. 31. Cinema ou TV, opte por um bom filme;
A Vida:32. Faça o que é correcto;33. Desfaça-se do que não é útil, nem bonito nem alegre;34. Por muito boa ou má que a situação seja.... Ela mudará...36. O tempo cura quase tudo;37. O melhor ainda está para vir;38. Quando acordar de manhã, agradeça a Deus pela graça de estar vivo.39. Mantenha seu coração sempre feliz.

quarta-feira, janeiro 04, 2012

Interessante artigo recebido do amigo Jaime - Gibardeira - vulgo Azevinho

Atenção ecologistas e pessoas de boa vontade

O consumismo desenfreado que, apesar das crises económicas, na época natalícia se manifesta exuberantemente, tende a escamotear as verdadeiras verdades (passe o pleonasmo) da Vida. A utilização dos recursos da natureza deveria basear-se única e exclusivamente no sustento e progresso da Humanidade e das outras espécies animais e vegetais que a irmanam nesta etapa evolutiva do Universo e jamais em superficialidades.
Surge esta tirada filosófica, quiçá exagerada, para aplicar à comezinha constatação de que o azevinho, Ilex aquifolium L., é um arbusto silvestre em perigo de extinção só porque os cristãos começaram a associá-lo ao Natal e a incorporá-lo maciçamente nas ornamentações pueris que caracterizam a quadra, expoente máximo do consumismo no Ocidente.
Ora já não havendo azevinho bastante, de que se lembraram “as criaturas de Deus?” De desbastar a gilbardeira que, em comum com o citado azevinho, só tem os frutinhos escarlates.
E desta forma enviesada, chegamos então à gilbardeira, denominada cientificamente por Ruscus aculeatus L. Confirma-se assim o velho ditado de que as conversas são como as cerejas, perdão, neste caso, como as bagas do azevinho e da gilbardeira.
Discorramos pois sobre este curioso arbusto da família das liliáceas ou das ruscáceas (depende dos especialistas botânicos que, neste caso, parece que ainda não se entenderam), também já muito ameaçado pela moda natalícia. Trata-se de uma espécie perene, oriunda da Eurásia, que pode chegar aos 80 cm de altura. É de cor verde escura e brilhante e possui abundantes rizomas subterrâneos, o que parece garantir a sua sobrevivência face aos constantes ataques dos adoradores do Menino Jesus. Apresenta caules lisos e arredondados e quase não tem folhas que são afinal pequenas escamas pouco visíveis. Em contrapartida, surgem os cladódios, ou seja, as expansões achatadas do caule, de forma ovada e rígida com vértice espinhoso, alternas e sésseis que fazem lembrar autênticas folhas. Na realidade, o observador menos atento e desinformado, julga, equivocadamente, que está a ver as folhas da planta. Ora as flores e os frutos jamais nascem nas folhas e na gilbardeira é nesses cladódios que aparecem as pequenas flores unissexuais e solitárias e mais tarde, os atraentes frutos vermelhos formando bagas globosas de 10 a 15 mm de diâmetro. O contraste entre o vermelho vivo das bagas e a coloração verde brilhante do resto da planta, cativa os curiosos, mas nada os obriga a destruir gilbardeiras só para ornamentar os respetivos presépios. Devemo-nos deleitar apenas pela mera contemplação, se não quisermos obter delas, outros benefícios óbvios para a nossa saúde.
A gilbardeira possui, de facto, grande interesse para a medicina, principalmente os seus rizomas que têm propriedades diuréticas, anti-inflamatórias, emolientes, laxantes, aperitivas e febrífugas.
De entre os seus componentes químicos há a destacar resinas, óleos essenciais, saponósidos, cálcio, nitrato de potássio e outros sais minerais.
Tem aplicações no tratamento de hemorroidas, litíases, edemas, varizes, tendinites e gota. Muito bons resultados vêm sendo obtidos nas insuficiências crónicas venosas, com dor, prurido e inchaço das pernas. Nalgumas regiões francesas a gilbardeira é popularmente conhecida por “plante des jambes légères”, ou seja, planta das pernas ligeiras.
Em uso interno podem preparar-se infusões a partir de 4 g do rizoma por chávena, para beber três vezes ao dia. Há ainda quem recomende o cozimento de 60 g por litro de água para tomar três chávenas diariamente no intervalo das refeições. Usa-se também a tintura (1:10): 4 ml por cada toma. Para uso externo é corrente usar-se a pomada preparada com glicerina a que se junta uma substância extraída do rizoma, denominada “ruscogenina”.
Os frutos da gilbardeira não devem ficar ao alcance das crianças porque, se forem ingeridos, podem provocar vómitos, convulsões e diarreias.
No entanto, diversos autores informam que os rebentos tenros são comestíveis, podendo ser cozinhados como se fossem espargos silvestres. Devo confessar, contudo, que ainda não experimentei tais acepipes.

FELIZ ANO 2012!


Através da magia das cores e dos pincéis
Desenhei-te nos tons da primavera
Já era tarde e o dia amanhecia
Quisera ter tido tempo de te querer
Mas o dia teimava em amanhecer
Era tarde e tudo se perdeu,
A magia quebrou, escureceu
O feitiço perdeu-se,
E fez-se dia…

(Dad)

domingo, janeiro 01, 2012

REFLEXÃO PARA 2012




A PEDRA e o HOMEM

" Ele, distraído, tropeçou nela.
Ele, violento, utilizou a como projéctil.
Ele, empreendedor, construíu com ela.
Ele, camponês, utilizou a como assento
Drummond poetizou a.
David utilizou a para derrotar Golias
E Miguel Ângelo tirou dela a mais bela das esculturas.
Em todos os casos, a diferença não esteve na pedra , mas sim no homem.... "


O novo ano é o mesmo para todos, dependendo de nós o que façamos com ele.

quinta-feira, dezembro 29, 2011

PARA O ANO DE 2012!


FELIZ ANO NOVO- HAPPY NEW YEAR

Quem teve a ideia de cortar o tempo em fatias, a que se deu o nome de ano,

foi um indivíduo genial. Industrializou a esperança fazendo-a funcionar no

limite da exaustão.

Doze meses é tempo suficiente para qualquer ser humano se cansar e entregar

os pontos.

Aí entra o milagre da renovação e tudo começa outra vez com outro número

e outra vontade de acreditar que daqui pra adiante vai ser diferente....


...Para vocês, desejo o sonho realizado, o amor esperado, a esperança


renovada.

...Para vocês, desejo todas as cores desta vida, todas as alegrias que

puder sorrir, todas as músicas que puder emocionar.

...Para vocês neste novo ano, desejo que os amigos continuem cúmplices, que

suas famílias estejam unidas, que suas vidas sejam bem vividas!


Gostaria de lhes desejar tantas coisas, mas nada seria suficiente...

Então, desejo apenas que vocês tenham muitos desejos.

Desejos grandes e que eles possam mover todos a cada minuto, rumo à

FELICIDADE!!!"

Carlos Drummond de Andrade

quarta-feira, dezembro 28, 2011

O FIM DO ANO


O fim do ano é um cocktail de ilusões...
Pedidos novos em fatos velhos,
são queimados na fogueira dos desejos...
Abrem-se as luzes, batem-se os copos,
fazendo-se saúdes ao recem-nasciso ano que por aí vem...
Vem vestido de menino com os trajes sujos do ano que passou...


trajando-se depois de "novinho em folha",
na realidade, nem melhor, nem pior - o mesmo -
todos os anos - o mesmo -
incansávelmente para gáudio dos foliões - apesar de ser o mesmo...
E quase todos nós, com mais uma esperança na gaveta,
a esperar o menino ano envolto em ilusões!

Dado que se trata de um escrito num dia menos bom, espero que isto seja só um momento de mal-estar meu e possa ser um Ano Muito feliz para todos!


DAD

Um texto de Isabel do Carmo no Público de 28_11_2011


O primeiro-ministro anunciou que íamos empobrecer, com aquele desígnio de falar "verdade", que consiste na banalização do mal, para que nos resignemos mais suavemente. Ao lado, uma espécie de contabilista a nível nacional diz-nos, como é hábito nos contabilistas, que as contas são difíceis de perceber, mas que os números são crus. Os agiotas batem à porta e eles afinal até são amigos dos agiotas. Que não tivéssemos caído na asneira de empenhar os brincos, os anéis e as pulseiras para comprar a máquina de lavar alemã. E agora as jóias não valem nada. Mas o vendedor prometeu-nos que... Não interessa.

Vamos empobrecer. Já vivi num país assim. Um país onde os "remediados" só compravam fruta para as crianças e os pomares estavam rodeados de muros encimados por vidros de garrafa partidos, onde as crianças mais pobres se espetavam, se tentassem ir às árvores. Um país onde se ia ao talho comprar um bife que se pedia "mais tenrinho" para os mais pequenos, onde convinha que o peixe não cheirasse "a fénico". Não, não era a "alimentação mediterrânica", nos meios industriais e no interior isolado, era a sobrevivência.

Na terra onde nasci, os operários corticeiros, quando adoeciam ou deixavam de trabalhar vinham para a rua pedir esmola (como é que vão fazer agora os desempregados de "longa" duração, ou seja, ao fim de um ano e meio?). Nessa mesma terra deambulavam também pela rua os operários e operárias que o sempre branqueado Alfredo da Silva e seus descendentes punham na rua nos "balões" ("Olha, hoje houve um ' balão' na Cuf, coitados!"). Nesse país, os pobres espreitavam pelos portões da quinta dos Patiño e de outros, para ver "como é que elas iam vestidas".

Nesse país morriam muitos recém-nascidos e muitas mães durante o parto e após o parto. Mas havia a "obra das Mães" e fazia-se anualmente "o berço" nos liceus femininos onde se colocavam camisinhas, casaquinhos e demais enxoval, com laçarotes, tules e rendas e o mais premiado e os outros eram entregues a famílias pobres bem- comportadas (o que incluía, é óbvio, casamento pela Igreja).

Na terra onde nasci e vivi, o hospital estava entregue à Misericórdia. Nesse, como em todos os das Misericórdias, o provedor decidia em absoluto os desígnios do hospital. Era um senhor rural e arcaico, vestido de samarra, evidentemente não médico, que escolhia no catálogo os aparelhos de fisioterapia, contratava as religiosas e os médicos, atendia os pedidos dos administrativos ("Ó senhor provedor, preciso de comprar sapatos para o meu filho"). As pessoas iam à "Caixa", que dependia do regime de trabalho (ainda hoje quase 40 anos depois muitos pensam que é assim), iam aos hospitais e pagavam de acordo com o escalão. E tudo dependia da Assistência. O nome diz tudo. Andavam desdentadas, os abcessos dentários transformavam-se em grandes massas destinadas a operação e a serem focos de septicemia, as listas de cirurgia eram arbitrárias. As enfermarias dos hospitais estavam cheias de doentes com cirroses provocadas por muito vinho e pouca proteína. E generalizadamente o vinho era barato e uma "boa zurrapa".

E todos por todo o lado pediam "um jeitinho", "um empenhozinho", "um padrinho", "depois dou-lhe qualquer coisinha", "olhe que no Natal não me esqueço de si" e procuravam "conhecer lá alguém".

Na província, alguns, poucos, tinham acesso às primeiras letras (e últimas) através de regentes escolares, que elas próprias só tinham a quarta classe. Também na província não havia livrarias (abençoadas bibliotecas itinerantes da Gulbenkian), nem teatro, nem cinema.

Aos meninos e meninas dos poucos liceus (aquilo é que eram elites!) era recomendado não se darem com os das escolas técnicas. E a uma rapariga do liceu caía muito mal namorar alguém dessa outra casta. Para tratar uma mulher havia um léxico hierárquico: você, ó; tiazinha; senhora (Maria); dona; senhora dona e... supremo desígnio - Madame.

Os funcionários públicos eram tratados depreciativamente por "mangas-de-alpaca" porque usavam duas meias mangas com elásticos no punho e no cotovelo a proteger as mangas do casaco.

Eu vivi nesse país e não gostei. E com tudo isto, só falei de pobreza, não falei de ditadura. É que uma casa bem com a outra. A pobreza generalizada e prolongada necessita de ditadura. Seja em África, seja na América Latina dos anos 60 e 70 do século XX, seja na China, seja na Birmânia, seja em Portugal.

terça-feira, dezembro 27, 2011

PROMESSAS...





A noite chegou cheia de promessas a concretizar
No ar um aroma doce envolveu o teu olhar…
Desse aroma de promessas não conheço o fulgor,
Pois espinhos são mais presentes do que gestos de amor…

Era noite, que o dia se envolvia nela,
Chamaste por mim, eu cheguei à janela,
Os meus olhos eram chispas cheias de fulgor,
Nos meus lábios sequiosos desenhava-se o amor…

A noite aconteceu igual às outras…
O dia, perguiçoso, despertou,
O Sol, fulgurante, finalmente… chegou!




E tu partiste!


Dad

sábado, dezembro 24, 2011

Então é Natal



Então até amanhã que o Pai Natal já está a tocar à porta!
Beijinhos a todos!

HOJE QUERO ENCHER A MINHA CASA DE FLORES




Hoje quero encher a minha casa de flores porque é véspera de Natal!
Hoje aguardo todos os meus queridos,
Toda a minha família próxima.
Vou encher a minha sala com os gritinhos das crianças,com as conversas dos adultos e com uma música leve, de fundo, para nos conseguirmos ouvir todos bem.
Mas sobretudo quero que a minha casa fique inundada de amor que possa transbordar pelas janelas inundando as ruas e as avenidas de todas as vilas e cidades do mundo.
Eu espero que Deus ajude a que o espirito de Natal -que é mais importante que as prendas-, nos envolva a todos e nos conforte pelo facto de ser Natal, de sermos uma família e podermos estar aqui todos juntos.
É evidente que será impossível não lembrar outros Natais já passados em que éramos mais à mesa, pois houve quem já se tivesse despedido de nós e esteja noutro plano.
Como Deus é misericordioso mandou a esta terra o meu querido neto e a minha querida afilhada que são agora as crianças da família.

terça-feira, dezembro 20, 2011

SER ROSA...???- Meditação do dia!







Ser rosa não é tarefa fácil
que cedo nos levam por maus caminhos...
Ser mulher é ser quase como a rosa,
pois cedo nos enchem a alma de espinhos...

Era bom que o caminho fosse liso e leve,
o coração aberto, cheio de alegria!
Cedo encontramos na vida os escolhos,
mas na coragem dos teus olhos,
esperava encontrar rosas, em cada dia!
(Dad)


segunda-feira, dezembro 19, 2011

domingo, dezembro 18, 2011

sexta-feira, dezembro 16, 2011

Joãozinho a Rezar


Senhor todo poderoso: há 2 anos o Senhor levou meu cantor favorito Michael Jackson! O meu locutor favorito Lombard! O meu ator preferido Patrick Swayze! Minha dançarina preferida Lacraia! Esse ano levou a minha cantora favorita Amy Winehouse! Quero lembrar ao senhor que os meus políticos preferidos são: ANGELA MERKEL, NICOLAS SARKOZY, SÍLVIO BERLUSCONI, CAVACO SILVA, PEDRO PASSOS COELHO, PAULO PORTAS, ALBERTO JOÃO JARDIM, VICTOR GASPAR...

quinta-feira, dezembro 15, 2011

A LENDA DAS VELAS DE NATAL



Uma lenda antiga, austríaca, nos fala de um pobre sapateiro que vivia na encruzilhada de um caminho, nos arrebaldes de uma cidade. Pensando em ajudar os viajantes que à noite passavam por ali, mantinha, na janela de sua casa, uma vela acesa todas as noites. Vivia só, mas se sentia como a criatura mais feliz daquele lugar.
Veio uma grande guerra e os jovens tiveram que partir para o campo de luta. Sem braços fortes para o trabalho, a cidade foi ficando cada vez mais pobre. Mesmo assim, lá estava a velinha do sapateiro todas as noites.
- Quem sabe, pensavam, é aquela velinha acesa, o segredo da felicidade desse homem.
Resolveram, então, imitá-lo. Todos acenderam naquela noite a sua vela. Era véspera de Natal, e, em todas as casas, havia uma vela acesa na janela.
À meia-noite, os sinos das igrejas começaram a tocar, anunciando a boa notícia: a guerra terminara!
- Um milagre!diziam todos. É o milagre das velas acesas!
Assim, todos os anos acendiam velas na véspera de Natal...e o costume se espalhou...
Mas, a grande Luz que anuncia a verdadeira paz é Jesus. Ele diz: "Quem me segue, nunca andará em trevas, mas terá a luz da vida." (João 8.12)


Narrativa de


(Wilson Castro Ferreira)



quarta-feira, dezembro 14, 2011

POUPANDO O MOTOR?



Pelo inesperado, não resisti a publicar...

Será para poupar o burro ou para levá-lo ao hospital???

Mistérios de uma foto!

segunda-feira, dezembro 12, 2011

POEMA DE NATAL DE ANTÓNIO GEDEÃO




Dia de Natal

Hoje é dia de ser bom.
É dia de passar a mão pelo rosto das crianças,
de falar e de ouvir com mavioso tom,
de abraçar toda a gente e de oferecer lembranças.

É dia de pensar nos outros— coitadinhos— nos que padecem,
de lhes darmos coragem para poderem continuar a aceitar a sua miséria,
de perdoar aos nossos inimigos, mesmo aos que não merecem,
de meditar sobre a nossa existência, tão efémera e tão séria.

Comove tanta fraternidade universal.
É só abrir o rádio e logo um coro de anjos,
como se de anjos fosse,
numa toada doce,
de violas e banjos,
Entoa gravemente um hino ao Criador.
E mal se extinguem os clamores plangentes,
a voz do locutor
anuncia o melhor dos detergentes.

De novo a melopeia inunda a Terra e o Céu
e as vozes crescem num fervor patético.
(Vossa Excelência verificou a hora exacta em que o Menino Jesus nasceu?
Não seja estúpido! Compre imediatamente um relógio de pulso antimagnético.)

Torna-se difícil caminhar nas preciosas ruas.
Toda a gente se acotovela, se multiplica em gestos, esfuziante.
Todos participam nas alegrias dos outros como se fossem suas
e fazem adeuses enluvados aos bons amigos que passam mais distante.

Nas lojas, na luxúria das montras e dos escaparates,
com subtis requintes de bom gosto e de engenhosa dinâmica,
cintilam, sob o intenso fluxo de milhares de quilovates,
as belas coisas inúteis de plástico, de metal, de vidro e de cerâmica.

Os olhos acorrem, num alvoroço liquefeito,
ao chamamento voluptuoso dos brilhos e das cores.
É como se tudo aquilo nos dissesse directamente respeito,
como se o Céu olhasse para nós e nos cobrisse de bênçãos e favores.

A Oratória de Bach embruxa a atmosfera do arruamento.
Adivinha-se uma roupagem diáfana a desembrulhar-se no ar.
E a gente, mesmo sem querer, entra no estabelecimento
e compra— louvado seja o Senhor!— o que nunca tinha pensado comprado.

Mas a maior felicidade é a da gente pequena.
Naquela véspera santa
a sua comoção é tanta, tanta, tanta,
que nem dorme serena.

Cada menino
abre um olhinho
na noite incerta
para ver se a aurora
já está desperta.
De manhãzinha,
salta da cama,
corre à cozinha
mesmo em pijama.

Ah!!!!!!!!!!

Na branda macieza
da matutina luz
aguarda-o a surpresa
do Menino Jesus.

Jesus
o doce Jesus,
o mesmo que nasceu na manjedoura,
veio pôr no sapatinho
do Pedrinho
uma metralhadora.

Que alegria
reinou naquela casa em todo o santo dia!
O Pedrinho, estrategicamente escondido atrás das portas,
fuzilava tudo com devastadoras rajadas
e obrigava as criadas
a caírem no chão como se fossem mortas:
Tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá.

Já está!
E fazia-as erguer para de novo matá-las.
E até mesmo a mamã e o sisudo papá
fingiam
que caíam
crivados de balas.

Dia de Confraternização Universal,
Dia de Amor, de Paz, de Felicidade,
de Sonhos e Venturas.
É dia de Natal.
Paz na Terra aos Homens de Boa Vontade.
Glória a Deus nas Alturas.




(António Gedeão)


sábado, dezembro 10, 2011

Achei este poema lindooooooooo e aí vai para todos!




Eu te peço perdão por te amar de repente
Embora o meu amor
seja uma velha canção nos teus ouvidos
Das horas que passei à sombra dos teus gestos
Bebendo em tua boca o perfume dos sorrisos
Das noites que vivi acalentando
Pela graça indizível
dos teus passos eternamente fugindo
Trago a doçura
dos que aceitam melancolicamente.
E posso te dizer
que o grande afeto que te deixo
Não traz o exaspero das lágrimas
nem a fascinação das promessas
Nem as misteriosas palavras
dos véus da alma...
É um sossego, uma unção,
um transbordamento de carícias
E só te pede que te repouses quieta,
muito quieta
E deixes que as mãos cálidas da noite
encontrem sem fatalidade
o olhar estático da aurora.
Vinícius de Moraes


Não é um poema de Natal mas é um excelente poema de amor!

Beijinhos a todos e deixem-se mergulhar no poema!

Dad

quinta-feira, dezembro 08, 2011

A todos os meus amigos e amigas!
Que seja bom, que seja belo e que seja branco
que seja branco,e que seja da cor dos anjos que enfeitamos nossos sonhos...
Que traga, alegria , felicidade e amor, paz na terra sem guerra
que seja paz, amor alegria e que se espalhe por todos e todas
todos os dias!
Para que nos faça melhores uns para com os outros, melhores amigos, melhores familiares, melhores crianças. Para que saibamos ser outra vez crianças a valer e a........acreditar!
Voltar a ser ingénuo e bom e irmão!
Para todos um Santo Natal cheio de desejos dos melhores que a nossa mente arquitecta, pois só assim construiremos segundo os desejos do grande CRIADOR!
BEIJINHOS DE NATAL TRANSFORMADOS EM PAZ PRECISAM-SE E MUITO!

quinta-feira, dezembro 01, 2011

O MUNDO NA MINHA MÃO...


Se eu tivesse o mundo na minha mão
Seria melhor do que os outros são?

Falo e critico o que não se vê bem feito

mas...

Se eu tivesse o mundo na minha mão

Seria melhor do que os outros são?

Eterna é a dúvida…
DAD

TEXTO GENIAL DE MIGUEL SOUSA TAVARES


Segunda-feira passada, a meio da tarde, faço a A-6, em direcção a Espanha e na companhia de uma amiga estrangeira; quarta-feira de manhã, refaço o mesmo percurso, em sentido inverso, rumo a Lisboa. Tanto para lá como para cá, é uma auto-estrada luxuosa e fantasma. Em contrapartida, numa breve incursão pela estrada nacional, entre Arraiolos e Borba, vamos encontrar um trânsito cerrado, composto esmagadoramente por camiões de mercadorias espanhóis. Vinda de um país onde as auto-estradas estão sempre cheias, ela está espantada com o que vê:
- É sempre assim, esta auto-estrada?
- Assim, como?
- Deserta, magnífica, sem trânsito?
- É, é sempre assim.
- Todos os dias?
- Todos, menos ao domingo, que sempre tem mais gente.
- Mas, se não há trânsito, porque a fizeram?
- Porque havia dinheiro para gastar dos Fundos Europeus, e porque diziam que o desenvolvimento era isto.
- E têm mais auto-estradas destas?
- Várias e ainda temos outras em construção: só de Lisboa para o Porto, vamos ficar com três. Entre S. Paulo e o Rio de Janeiro, por exemplo, não há nenhuma: só uns quilómetros à saída de S. Paulo e outros à chegada ao Rio. Nós vamos ter três entre o Porto e Lisboa: é a aposta no automóvel, na poupança de energia, nos acordos de Quioto, etc. - respondi, rindo-me.
- E, já agora, porque é que a auto-estrada está deserta e a estrada nacional está cheia de camiões?
- Porque assim não pagam portagem.
- E porque são quase todos espanhóis?
- Vêm trazer-nos comida.
- Mas vocês não têm agricultura?
- Não: a Europa paga-nos para não ter. E os nossos agricultores dizem que produzir não é rentável.
- Mas para os espanhóis é?
- Pelos vistos...
Ela ficou a pensar um pouco e voltou à carga:
- Mas porque não investem antes no comboio?
- Investimos, mas não resultou.
- Não resultou, como?
- Houve aí uns experts que gastaram uma fortuna a modernizar a linha Lisboa-Porto, com comboios pendulares e tudo, mas não resultou.
- Mas porquê?
- Olha, é assim: a maior parte do tempo, o comboio não 'pendula'; e, quando 'pendula', enjoa de morte. Não há sinal de telemóvel nem Internet, não há restaurante, há apenas um bar infecto e, de facto, o único sinal de 'modernidade' foi proibirem de fumar em qualquer espaço do comboio. Por isso, as pessoas preferem ir de carro e a companhia ferroviária do Estado perde centenas de milhões todos os anos.
- E gastaram nisso uma fortuna?
- Gastámos. E a única coisa que se conseguiu foi tirar 25 minutos às três horas e meia que demorava a viagem há cinquenta anos...
- Estás a brincar comigo!
- Não, estou a falar a sério!
- E o que fizeram a esses incompetentes?
- Nada. Ou melhor, agora vão dar-lhes uma nova oportunidade, que é encherem o país de TGV: Porto-Lisboa, Porto-Vigo, Madrid-Lisboa... e ainda há umas ameaças de fazerem outro no Algarve e outro no Centro.
- Mas que tamanho tem Portugal, de cima a baixo?
- Do ponto mais a norte ao ponto mais a sul, 561 km.
Ela ficou a olhar para mim, sem saber se era para acreditar ou não.
- Mas, ao menos, o TGV vai directo de Lisboa ao Porto?
- Não, pára em várias estações: de cima para baixo e se a memória não me falha, pára em Aveiro, para os compensar por não arrancarmos já com o TGV deles para Salamanca; depois, pára em Coimbra para não ofender o prof. Vital Moreira, que é muito importante lá; a seguir, pára numa aldeia chamada Ota, para os compensar por não terem feito lá o novo aeroporto de Lisboa; depois, pára em Alcochete, a sul de Lisboa, onde ficará o futuro aeroporto; e, finalmente, pára em Lisboa, em duas estações.
- Como: então o TGV vem do Norte, ultrapassa Lisboa pelo sul, e depois volta para trás e entra em Lisboa?
- Isso mesmo.
- E como entra em Lisboa?
- Por uma nova ponte que vão fazer.
- Uma ponte ferroviária?
- E rodoviária também: vai trazer mais uns vinte ou trinta mil carros todos os dias para Lisboa.
- Mas isso é o caos, Lisboa já está congestionada de carros!
- Pois é.
- E, então?
- Então, nada. São os especialistas que decidiram assim.
Ela ficou pensativa outra vez. Manifestamente, o assunto estava a fasciná-la.
- E, desculpa lá, esse TGV para Madrid vai ter passageiros? Se a auto-estrada está deserta...
- Não, não vai ter.
- Não vai? Então, vai ser uma ruína!
- Não, é preciso distinguir: para as empresas que o vão construir e para os bancos que o vão capitalizar, vai ser um negócio fantástico! A exploração é que vai ser uma ruína - aliás, já admitida pelo Governo - porque, de facto, nem os especialistas conseguem encontrar passageiros que cheguem para o justificar.
- E quem paga os prejuízos da exploração: as empresas construtoras?
- Naaaão! Quem paga são os contribuintes! Aqui a regra é essa!
- E vocês não despedem o Governo?
- Talvez, mas não serve de muito: quem assinou os acordos para o TGV com Espanha foi a oposição, quando era governo...
- Que país o vosso! Mas qual é o argumento dos governos para fazerem um TGV que já sabem que vai perder dinheiro?
- Dizem que não podemos ficar fora da Rede Europeia de Alta Velocidade.
- O que é isso? Ir em TGV de Lisboa a Helsínquia?
- A Helsínquia, não, porque os países escandinavos não têm TGV.
- Como? Então, os países mais evoluídos da Europa não têm TGV e vocês têm de ter?
- É, dizem que assim entramos mais depressa na modernidade.
Fizemos mais uns quilómetros de deserto rodoviário de luxo, até que ela pareceu lembrar-se de qualquer coisa que tinha ficado para trás:
- E esse novo aeroporto de que falaste, é o quê?
- O novo aeroporto internacional de Lisboa, do lado de lá do rio e a uns 50 quilómetros de Lisboa.
- Mas vocês vão fechar este aeroporto que é um luxo, quase no centro da cidade, e fazer um novo?
- É isso mesmo. Dizem que este está saturado.
- Não me pareceu nada...
- Porque não está: cada vez tem menos voos e só este ano a TAP vai cancelar cerca de 20.000. O que está a crescer são os voos das low-cost, que, aliás, estão a liquidar a TAP.
- Mas, então, porque não fazem como se faz em todo o lado, que é deixar as companhias de linha no aeroporto principal e chutar as low-cost para um pequeno aeroporto de periferia? Não têm nenhum disponível?
- Temos vários. Mas os especialistas dizem que o novo aeroporto vai ser um hub ibérico, fazendo a trasfega de todos os voos da América do Sul para a Europa: um sucesso garantido.
- E tu acreditas nisso?
- Eu acredito em tudo e não acredito em nada. Olha ali ao fundo: sabes o que é aquilo?
- Um lago enorme! Extraordinário!
- Não: é a barragem de Alqueva, a maior da Europa.
- Ena! Deve produzir energia para meio país!
- Praticamente zero.
- A sério? Mas, ao menos, não vos faltará água para beber!
- A água não é potável: já vem contaminada de Espanha.
- Já não sei se estás a gozar comigo ou não, mas, se não serve para beber, serve para regar - ou nem isso?
- Servir, serve, mas vai demorar vinte ou mais anos até instalarem o perímetro de rega, porque, como te disse, aqui acredita-se que a agricultura não tem futuro: antes, porque não havia água; agora, porque há água a mais.
- Estás a dizer-me que fizeram a maior barragem da Europa e não serve para nada?
- Vai servir para regar campos de golfe e urbanizações turísticas, que é o que nós fazemos mais e melhor.
Apesar do sol de frente, impiedoso, ela tirou os óculos escuros e virou-se para me olhar bem de frente:
- Desculpa lá a última pergunta: vocês são doidos ou são ricos?
- Antes, éramos só doidos e fizemos algumas coisas notáveis por esse mundo fora; depois, disseram-nos que afinal éramos ricos e desatámos a fazer todas as asneiras possíveis cá dentro; em breve, voltaremos a ser pobres e enlouqueceremos de vez.
Ela voltou a colocar os óculos de sol e a recostar-se para trás no assento. E suspirou:
- Bem, uma coisa posso dizer: há poucos países tão agradáveis para viajar como Portugal! Olha-me só para esta auto-estrada sem ninguém!

Com este andar...é assim que vamos ficar...