quarta-feira, outubro 02, 2013

A NOITE

Na noite, a casa, O quarto e o menino que dorme, Os carros que passam, Rápidos correm Para destinos desconhecidos As paredes, as dimensões que se alongam O vento que sopra, a noite…imensa… Senhora de manto insone Que caminha a estende os tentáculos Pelas ruas enchendo de amplitude os sons A noite misteriosa e excitante, A noite que me encontra aqui, neste lugar Implantada no tempo e no espaço, Estou, Sou! Sou alguém à procura de alguém que se encontre para além das frinchas das persianas entreabertas. Alguem que nem é matéria nem espírito… Uma bola de fogo subindo, Imperturbável através dos milhares De estrelas que não são… As luzes de uma cidade que não vive porque foi estrangulada De trânsito e de ruidos. Alguem que foi asas e barco e mar e flores na Primavera; Que se vestiu de gelo e de Sol para estar nos Polos e nos Trópicos. Cantou e e rezando a um Deus desconhecido, inventou palavras Novas Para adornar de luz os cabelos e fez correr os rios por entre os meus Dedos, à descoberta de mundos novos. Foi a aventura da nau que navegou por mares desconhecidos e rasgou O ventre dos mares com as agulhas de tecer as ondas e enfunou as velas Com a brisa refrescante de uma corrente de polos diferentes que se tocam Porque aspiraram à proximidade… E a nau fez-se nave e ascendeu aos céus e ao terceiro dia encontrou-se na Presença do Homem Novo e ali viu que a sua descoberta tinha sido boa e chamou-lhe De AMOR E FICOU FELIZ POR TER SAIDO PARA A RUA E TER ENCONTRADO A MULTIDÃO QU VIA NELE O SALVADOR E ENCHEU-LHE COM OS AROMAS QUE TROUXE DO CÉU E ADORNOU-LHE AFRONTE COM AS FLORES QUE CRESCEM. NOS PAISES QUE ESTÃO POR DESCOBRIR PELO RESTO DA HUMANIDADE. E AO CANTAREM VELHAS BALADAS DE MARINHEIROS JULGAVAM QUE ESTAVAM A REDESCOBRIR UM MUNDO QUE TINHA SIDO PERDIDO PORQUE NÃO HAVIA PUREZA PARA O AGARRAR, E JURARAM QUE REGARIAM A FLOR MARAVILHOSA QUE HAVIAM FEIRO NASCER. E CONSTRUIRAM UMA FORTALEZA NUMA ILHA MUITO DELES E DERAM-LHE UM NOME QUE SÓ ELES CONHECIAM E JULGARAM QUE AGORA JÁ NADA PODERIA TORNAR VULNERÁVEL O SEU MUNDO. Nem a idade, nem as contrariedades, porque ali o tempo e o espaço tinham sido abolidos. Que eles inventaram. Eram, ao mesmo tempo, reis e mendigos Eram, por si só o princípio e o fim. E agora que subitamente pestanejo, olho à minha volta e descubro que não cheguei a sair do meu quarto e do meu menino estar a dormir e de ser noite, noite, noite e dos carros que passam, rápidos e das dimensões das paredes que se alongam… Noite, noite…noite… Estou cansada! Vou dormir… DAD 17/7/78 E o ar ganhou as fragâncrias que eles quiseram e tudo se cobriu das cores

NOITE

domingo, setembro 22, 2013

segunda-feira, junho 24, 2013

Para testar a personalidade de um alentejano, o dono da empresa mandou pagar 500 euros a mais no salário dele.


Os dias passam e o funcionário não diz nada.

No mês seguinte, o patrão faz o inverso: manda tirar 500 euros.

Nesse mesmo dia, o funcionário entra na sala para falar com ele:

- Engenheiro, acho que houve um engano e tiraram-me 500 euros do meu salário.

- Ah?! Curioso porque no mês passado eu paguei-lhe 500 euros a mais e você não comentou nada!

- Pois, mas atão um erro eu ainda tolero; agora dois acho um abuso!!!























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quinta-feira, junho 20, 2013

Ora assim mesmo é que é...
É preciso ter coragem para mostrar as Notas...

sexta-feira, junho 07, 2013

                    Escreve a Mãe de Paulo Portas

Escreve a mãe de Paulo Portas, Helena Sacadura Cabral :Ontem tive o azar de apanhar o PM do país onde nasci, a explicar das suas razões para uma mais que certa retroactividade de cortes aos pensionistas "que estão a receber"(sic)Fui educada numa família de gente séria que trabalhava para sustentar os seus e que considerava ser essa a obrigação de todos aqueles que tinham decidido constitui-la.Trabalho para viver do modo que sempre vivi, pois a reforma que recebo e o que este Estado me tira - estou a ser educada - não me permitiriam viver apenas dela. E tenho a sorte de ainda haver quem prefira comprar um livro meu a uma camisola básica. Essa é que é essa.Dito isto, desliguei a televisão irritadíssima. Pronunciei alto umas palavras que não costumo usar e deitei-me. Tive uma noite de insónia, revoltada com o que ouvira e decidi que ninguém me poria a vista em cima neste fim de semana. Era a minha única forma de evitar eventuais desaguisados.Hoje levantei-me e fui à missa pela minha Mãe, que faria anos se fosse viva. E sabem que mais? Fui comer sardinhas assadas lá para as bandas do Tejo, beber sangria e caminhar ao sol. DesanuvieiO Dr Gaspar e a reforma do Estado podem levar-me a pensão, podem levar-me o pouco que tenho no banco para uma doença, mas não hão-de conseguir nem levar-me a voz, nem levar-me a alegria de estar viva. Porque eu não quero e porque eu não deixo!

terça-feira, junho 04, 2013

Senhores Ministros:




Tenho 86 anos, e modéstia à parte, sempre honrei o meu país pela forma como o representei em todos os palcos, portugueses e estrangeiros, sem pedir nada em troca senão respeito, consideração, abertura – sobretudo aos novos talentos -, e seriedade na forma como o Estado encara o meu papel como cidadão e como artista.

Vivi a guerra de 36/40 com o mesmo cinto com que todos os portugueses apertaram as ilhargas. Sofri a mordaça de um regime que durante 48 anos reprimiu tudo o que era cultura e liberdade de um povo para o qual sempre tive o maior orgulho em trabalhar. Sofri como todos, os condicionamentos da descolonização. Vivi o 25 de Abril com uma esperança renovada, e alegrei-me pela conquista do voto, como se isso fosse um epítome libertador.

Subi aos palcos centenas, senão milhares de vezes, da forma que melhor sei, porque para tal muito trabalhei.

Continuei a votar, a despeito das mentiras que os políticos utilizaram para me afastar do Teatro Nacional. Contudo, voltei a esse teatro pelo respeito que o meu público me merece, muito embora já coxo pelo desencanto das políticas culturais de todos os partidos, sem excepção, porque todos vós sois cúmplices da acrescida miséria com que se tem pintado o panorama cultural português.

Hoje, para o Fisco, deixei de ser Actor…e comigo, todos os meus colegas Actores e restantes Artistas destes país - colegas que muito prezo e gostava de poder defender.



Tudo isto ao fim de setenta anos de carreira! É fascinante.

Francamente, não sei para que servem as comendas, as medalhas e as Ordens, que de vez em quando me penduram ao peito?

Tenho 86 anos, volto a dizer, para que ninguém esqueça o meu direito a não ser incomodado pela raiva miudinha de um Ministério das Finanças, que insiste em afirmar, perante o silêncio do Primeiro-Ministro e os olhos baixos do Presidente da República, de que eu não sou actor, que não tenho direito aos benefícios fiscais, que estão consagrados na lei, e que o meu trabalho não pode ser considerado como propriedade intelectual.

Tenho pena de ter chegado a esta idade para assistir angustiado à rapina com que o fisco está a executar o músculo da cultura portuguesa. Estamos a reduzir tudo a zero... a zeros, dando cobertura a uma gigantesca transferência dos rendimentos de quem nada tem para os que têm cada vez mais.

É lamentável e vergonhoso que não haja um único político com honestidade suficiente para se demarcar desta estúpida cumplicidade entre a incompetência e a maldade de quem foi eleito com toda a boa vontade, para conscientemente delapidar a esperança e o arbítrio de quem, afinal de contas, já nem nas anedotas é o verdadeiro dono de Portugal: nós todos!

É infame que o Direito e a Jurisprudência Comunitárias sirvam só para sustentar pontualmente as mentiras e os joguinhos de poder dos responsáveis governamentais, cujo curriculum, até hoje, tem manifestamente dado pouca relevância ao contexto da evolução sociocultural do nosso povo. A cegueira dos senhores do poder afasta-me do voto, da confiança política, e mais grave ainda, da vontade de conviver com quem não me respeita e tem de mim a imagem de mais um velho, de alguém que se pode abusiva e irresponsavelmente tirar direitos e aumentar deveres.

É lamentável que o senhor Ministro das Finanças, não saiba o que são Direitos Conexos, e não queiram entender que um actor é sempre autor das suas interpretações – com diretos conexos, e que um intérprete e/ou executante não rege a vida dos outros por normas de Exel ou por ordens “superiores”, nem se esconde atrás de discursos catitas ou tiradas eleitoralistas para justificar o injustificável, institucionalizando o roubo, a falta de respeito como prática dos governos, de todos os governos, que, ao invés de procurarem a cumplicidade dos cidadãos, se servem da frieza tributária para fragilizar as esperanças e a honestidade de quem trabalha, de quem verdadeiramente trabalha.

Acima de tudo, Senhores Ministros, o que mais me agride, nem é o facto dos senhores prometerem resolver a coisa, e nada fazer, porque isso já é característica dos governos: o anunciar medidas e depois voltar atrás. Também não é o facto de pôr em dúvida a minha honestidade intelectual, embora isso me magoe de sobremaneira. É sobretudo o nojo pela forma como os seus serviços se dirigem aos contribuintes, tratando-nos como criminosos, ou potenciais delinquentes, sem olharem para trás, com uma arrogância autista que os leva a não verem que há um tempo para tudo, particularmente para serem educados com quem gera riqueza neste país, e naquilo que mais me toca em especial, que já é tempo de serem respeitadores da importância dos artistas, e que devem sê-lo sem medos e invejas desta nossa capacidade de combinar verdade cénica com artifício, que é no fundo esse nosso dom de criar, de ser co-autores, na forma, dos textos que representamos.

Permitam-me do alto dos meus 86 anos deixar-lhes um conselho: aproveitem e aprendam rapidamente, porque não tem muito tempo já. Aprendam que quando um povo se sacrifica pelo seu país, essa gente, é digna do maior respeito... porque quem não consegue respeitar, jamais será merecedor de respeito!



RUY DE CARVALHO