quinta-feira, setembro 25, 2008


"O que fica atrás de nós e o que jaz à nossa frente têm muito pouca importância, comparado com o que há dentro de nós"
Emerson
parece-me que é uma excelente reflexão.
Dad

terça-feira, setembro 16, 2008

A noite, às vezes... é assim...???

Inventando noites sem luar
em que o luar assustado se queda pelas esquinas,
falo dos medos, dos segredos,
das noites em que nos sentimos sozinhos...
em que percorremos caminhos de angústia
em que sentimos que já não estamos por aqui...
que vamos pertencendo a outra dimensão
onde o medo já não existe,
onde já não nos sentimos tristes
nem cobertos de ilusões inúteis
que só nos provocam medos,
segredos que guardamos para nós...
sempre que nos sentimos,
assim...tão sós!
Dad

quinta-feira, agosto 28, 2008

Uma porta para o infinito




Espreito por uma porta aberta para o infinito
Com vestígios da passagem do tempo.
Ouço o toque de um sino,na distância
Numa cadência incerta…
Os outros que já por ali passaram
passaram a outros planos
mas este mundo de enganos
de tantas futilidades,
de tantos amores e dores,
tanta beleza e de pranto,
eu recordo, com encanto.
Esses anos já passados.

Toco essas pedras amigas,
Fecho os olhos e imagino
Outros tempos, outras eras
Esses mundos tão antigos
Por onde já caminharam,
Pintores, poetas, amigos.

Os sonhos ruíram, os corpos partiram
Mas as almas pairam por aqui
Por estes lados... a todo o momento,
Pintando a paisagem, tecendo a melodia
Da grande viagem.

E quanto mais olho
Por montes e vales
E me quedo olhando esta velha porta
Ponho-me a pensar
Que talvez um dia
Estando eu já morta,
Os meus netos sintam
Como eu sinto hoje,
Que o mundo é uma roda
Que gira, range e foge…
Como uma melodia inacabada
De um grande compositor
Que para além de acordes
De sublimidade,
Nos vem pôr a mão,
Ensinar o caminho,
Guiar-nos com amor,
Como nós fazemos
A quem é pequenino.

Dorme meu menino…
Dad

quinta-feira, agosto 21, 2008

O ouro do nosso contentamento



Parabéns, Nelson Évora!

Nélson Évora conquistou a primeira medalha de ouro para Portugal nos Jogos Olímpicos de Pequim.

O atleta, no salto triplo, alcançou a marca de 17m67 no seu quarto ensaio.

Esta foi a segunda medalha do nosso país na China, após a de prata conquistada por Vanessa Fernandes no triatlo.


Nélson Évora não precisou de fazer o seu último salto para alcançar a medalha de ouro dos Jogos Olímpicos de Pequim. A marca do triunfo surgiu no quarto ensaio, com o português a registar 17m67.


Quando soube que tinha sido campeão, o atleta foi cumprimentar o treinador João Ganço entre lágrimas, numa clara demonstração de reconhecimento.


Évora, um dos poucos atletas nacionais que confirmaram as esperanças dos portugueses em si, não tremeu na final e logo no segundo salto registou 17m56, demonstrando que seria ele o alvo a abater.No entanto, Phillips Idowu respondeu com 17m62 no terceiro salto e relegou o português para o segundo lugar.Mas Évora reagiu e alcançou no salto seguinte a marca que lhe valeu o ouro, 17m67. O britânico ainda procurou no sexto ensaio superar o registo do português, mas acabou por falhar o seu salto, entregando o ouro ao português, que, recorde-se, também é o actual campeão mundial.



Parabéns queridos amigos Nélson Évora e João Ganço!


Não foram só vocês que choraram. Creio que foram todos os vossos amigos! Foi mesmo uma grande emoção!


terça-feira, agosto 19, 2008

férias ainda

Na senda das férias...

Cascatas, pedras e canções de riachos a correr...

Vi flores de todas as cores

perfeições que qualquer boa florista

não desprezaria

E os rios, e riachos, e levadas
e lagunas e ribeiros
e lagoas?
Maravilhas...

domingo, agosto 17, 2008

RECORDAÇÕES DE FÉRIAS

Tocam os sinos da torre da igreja,

Há rosmaninho e alecrim pelo chão.

Na nossa aldeia que Deus a proteja!

Vai passando a procissão.


Mesmo na frente, marchando a compasso,

De fardas novas, vem o solidó.

Quando o regente lhe acena com o braço,

Logo o trombone faz popó, popó.


Olha os bombeiros, tão bem alinhados!

Que se houver fogo vai tudo num fole.

Trazem ao ombro brilhantes machados,

E os capacetes rebrilham ao sol.

Tocam os sinos na torre da igreja,

Há rosmaninho e alecrim pelo chão.

Na nossa aldeia que Deus a proteja!

Vai passando a procissão.


Olha os irmãos da nossa confraria!

Muito solenes nas opas vermelhas!

Ninguém supôs que nesta aldeia havia

Tantos bigodes e tais sobrancelhas!


Ai, que bonitos que vão os anjinhos!

Com que cuidado os vestiram em casa!

Um deles leva a coroa de espinhos.

E o mais pequeno perdeu uma asa!

Tocam os sinos na torre da igreja,

Há rosmaninho e alecrim pelo chão.

Na nossa aldeia que Deus a proteja!

Vai passando a procissão.


Pelas janelas, as mães e as filhas,

As colchas ricas, formando troféu.

E os lindos rostos, por trás das mantilhas,

Parecem anjos que vieram do Céu!

Com o calor, o Prior aflito.
E o povo ajoelha ao passar o andor.
Não há na aldeia nada mais bonito
Que estes passeios de Nosso Senhor!

Tocam os sinos na torre da igreja,
Há rosmaninho e alecrim pelo chão.
Na nossa aldeia que Deus a proteja!
Já passou a procissão.

Poema de:António Lopes Ribeiro
declamado por João Vilaret

quarta-feira, agosto 06, 2008

terça-feira, julho 29, 2008

Dias de Verão

Nestes dias calmos de verão,

em que o sol aquece e o corpo se refresca

nas belas águas do mar...

meus amigos, a internet fica num distante lugar...

Estar estendida ao sol é agora,

o meu estar...

Boas férias para todos!

domingo, julho 20, 2008

Classe média está a pedir comida por 'e-mail' às misericórdias

Aqui está uma realidade que já nos vai fazer ver menos sol no fim de semana. Mas é preciso ter consciência do que se passa.
As vozinhas maviosas dos Bancos a oferecer créditos e os clientes e pensarem nas maravilhosas férias, carros, telemóveis e tudo da última gama, acaba por vir a dar a situação que agora é relatada e que me chocou por motivos vários.
O "envergonhado", concerteza sofre muito - é preciso saber se vai curar-se do consumismo... ARTIGO RETIRADO DO DIÁRIO DE NOTÍCIAS

Crise

Começa a afectar pessoas que viajam para estrangeiro, mas passam fome.

Dezenas de pedidos de ajuda têm chegado todas as semanas à UMPAos emails da União das Misericórdias Portuguesas (UMP) chegam todas as semanas dezenas de pedidos de ajuda alimentar. Pessoas que evitam revelar o menos possível sobre si próprios e pedem ajuda para atravessar o período difícil que se vive e matar a fome. Quem o diz é Manuel de Lemos, presidente da UMP, que alerta para este novo padrão de pobreza que foge ao típico retrato dos pobres conhecido em Portugal. "São pessoas com um perfil diferente, que não vivem na miséria, mas estão à beira de entrar na pobreza", explicou ao DN, acrescentando que este é um fenómeno que se veio a sentir desde o início do ano, quando se intensificaram os problemas económicos."Não estamos a falar de idosos, dos típicos desempregados, mas de pessoas com menos de 40 ou 45 anos que, se calhar, não deixam de pagar a netcabo nem desmarcam as férias na agência de viagens mas passam fome", conta Manuel de Lemos, que diz que ao seu próprio email já chegaram dezenas de pedidos de ajuda. Estas solicitações que chegam às instituições são acompanhadas pelos serviços sociais que depois encaminham os casos para as misericórdias locais.


Manuel de Lemos explica ainda que as misericórdias estão a sentir o impacto do aumento do preço dos alimentos e dos combustíveis, e da chamada crise, de duas formas. Por um lado, crescem os pedidos deste tipo e, por outro, o número de pessoas que tomam as suas refeições nas instituições. Idosos que vinham almoçar uma vez por semana e agora aparecem todos os dias, crianças e jovens.


"Estas pessoas novas quando chegam para comer, põem-se a um canto, comem rápido e vão-se embora, pois sentem alguma vergonha. A situação é completamente diferente das outras que regularmente ali tomam as suas refeições", adianta Manuel de Lemos.


Recentemente, a responsável pela Federação dos Bancos Alimentares Contra a Fome veio alertar também para o surgimento de uma nova camada de pobres.


Isabel Jonett falou ao DN sobre estas famílias da classe média, algumas habituadas até a um certo nível de vida, e que que viram nos últimos meses à beira de uma situação de pobreza. Em geral, explicou a responsável pela Federação dos Bancos Alimentares Contra a Fome, são pessoas que viveram durante algum tempo acima das suas possibilidades, se endividaram em grande escala e estão agora aflitas com a subida das taxas de juro, do preço dos combustíveis e do custo dos alimentos.


RITA CARVALHO (jornalista)

quarta-feira, julho 16, 2008

Poema e pintura - MIRAGEM

estão a ser postados alguns poemas escritos pelo poeta André Moa,cuja base de inspiração são algumas das minhas pinturas. Neste momento existe mais um poema(André Moa)/pintura (Miragem-Dad).
Convido-vos a começar a visitar esse Blog, aqui indicado e linkado neste meu blog, pois certamente gostarão de conhecer este português, grande homem das letras. Abaixo, estou a colocar a réplica do que ali encontrarão, entre outras coisas muito boas.
Obrigada e até sempre!
Dad
Miragem - (pintura de Dad)
RASGAM-SE OS CÉUS E A TERRA
DESFALECE O PRANTO EM RIO
SOSSOBRAM LUAS
E AS ÁRVORES
EM PLENA PRIMAVERA FICAM NUAS

EM SOBRESSALTO OS PÁSSAROS
PERDEM O SABER DAS ASAS
O PREGÃO DO BICO
A PROTECÇÃO DAS PENAS

A TERNURA DO AZUL DESFAZ-SE
EM BRASA

AS CASAS TRANSFORMAM-SE EM LÍQUIDAS GRUTAS
ONDE JAZ
O ETERNO OLIMPO DOS PASTORES DE SONHOS
O AMOR E A PAZ

SAUDADES DE AMADOS LÁBIOS
SOBREVOAM AS ÁGUAS
À PROCURA DE CORPOS PRESSENTIDOS
NO FULGOR DAS MARGENS
(André Moa)

quinta-feira, julho 03, 2008

É de murta e de mar a tua voz...

(Foto de Jo)

Poema de Homenagem de Natália Correia

a Zeca Afonso

É de murta e de mar a tua voz
Com algas de canção estrangulada.
Aberta a concha da trova malsofrida
Saíste como sai a madrugada
Da noite, virginal e humedecida.

É de vinho e de pinho a tua voz
Com pranto de insofríveis flores banidas.
Mas é pela tua garganta que soltamos
As eriçadas aves proibidas
Que no muro do medo desenhamos.

- Natália Correia -

(pintura de Artur Bual)

terça-feira, julho 01, 2008

quarta-feira, junho 25, 2008

Poema de Agostinho Neto

Noite
Eu vivo nos bairros escuros
do mundo sem luz nem vida.
Vou pelas ruas às apalpadelas,
encostado aos meus informes sonhos,
tropeçando na escravidão ao meu desejo de ser.
São bairros de escravos,
mundos de miséria, bairros escuros,
onde as vontades se diluíram
e os homens se confundiram com as coisas.
Ando aos trambolhões
pelas ruas sem luz,desconhecidas,
pejadas de mística e terror, de braço dado com fantasmas.
Também a noite é escura.
(Agostinho Neto)

sexta-feira, junho 20, 2008

Pensamento para o fim de semana

"O maior mal do século não é a pobreza dos desprovidos, é a inconsciência dos garantidos"
(P. Lebret).
Desejo-vos um óptimo fim de semana!
Dad