sábado, novembro 05, 2005

OS CAMELOS TAMBÉM CHORAM...

Eu tinha lido que, lá na Índia, elefantes olhando o crepúsculo, às
vezes, choram. Mas agora está aí esse filme "Camelos também choram" .
A gente sabe que porcos e cabritos quando estão sendo mortos soltam
gemidos e berros dilacerantes. Mas quem mata galinha no interior
nunca relatou ter visto lágrimas nos olhos delas. Contudo, esse
filme feito sobre uma comunidade de pastores de ovelhas e camelos, lá
na Mongólia, mostra que os camelos choram, mas choram não diante da
morte, mas em certa circunstância que faria chorar qualquer ser
humano.
E na platéia, eu vi, os não camelos também choravam.

Para nós, tão afastados da natureza, olhando a dureza do asfalto e a
indiferença dos muros e vitrinas; para nós que perdemos o diálogo com
plantas e animais, e, por conseqüência, conosco mesmos, testemunhar
com aquela bela família de mongóis o nascimento de um filhote de
camelo e sua relação com a mãe é uma forma de reencontrar a nossa
própria e destroçada humanidade.

É isto: eles vivem num deserto.
Terra árida, pedregosa. Eles, dentro daquelas casas redondas de lona e
madeira,
que podem ser montadas e desmontadas. Lá fora um vento
permanente ou o assombro do silêncio e da escuridão. E as ovelhas e
carneiros ali em torno, pontuando a paisagem e sendo a fonte de vida
dos humanos.

Sucede, então, que a rotina é quebrada com o parto difícil de um
camelinho. Por isto, a mãe camela o rejeita. O filho ali, branquinho,
mal se sustentando sobre as pernas, querendo mamar e ela fugindo,
dando patadas e indo acariciar outro filhote, enquanto o rejeitado
geme e segue inutilmente a mãe na seca paisagem.

A família mongol e vizinhos tentam forçar a mãe camela a alimentar o
filho. Em vão. Só há uma solução, diz alguém da família, mandar chamar o
músico.
Ao ouvir isto estremeci como se me preparasse para testemunhar um
milagre. E o milagre começou musicalmente a acontecer.

Dois meninos montam agilmente seus camelos e vão a uma vila próxima
chamar o músico. É uma vila pobre, mas já com coisas da modernidade,
motos, televisão, e, na escola de música, dentro daquele deserto,
jovens tocam instrumentos e dançam, como se a arte brotasse lindamente
das
pedras.

O professor de música, como se fosse um médico de aldeia chamado para
uma emergência, viaja com seu instrumento de arco e cordas para
tentar resolver a questão da rejeição materna. Chega.E ali no
descampado, primeiro coloca o instrumento com uma bela fita azul sobre o
dorso da mãe camela. A família mongol assiste à cena. Um vento suave
começa
a tanger as cordas do instrumento. A natureza por si mesma harpeja sua
harmônica
sabedoria. A camela percebe. Todos os camelos percebem uma música
reordenando
suavemente os sentidos. Erguem a cabeça, aguçam os ouvidos, e esperam.

A seguir, o músico retoma seu instrumento e começa a tocá-lo,
enquanto a dona da camela afaga o animal e canta. E enquanto cordas e
voz soam, a mãe camela começa a acolher o filhote, empurrando-o
docemente para suas tetas. E o filhote antes rejeitado e infeliz, vem
e mama, mama, mama desesperadamente feliz. E enquanto ele mama e a
música continua, a câmara mostra em primeiro plano que lágrimas
desbordam umas após outras dos olhos da mãe camela, dando sinais de
que a natureza se reencontrou a si mesma, a rejeição foi superada, o
afeto reuniu num todo amoroso os apartados elementos.

Nós, humanos, na platéia, olhamos aquilo estarrecidos. Maravilhados.
Os mongóis na cena constatam apenas mais um exercício de sua milenar
sabedoria. E nós que perdemos o contato com o micro e o macrocosmos
ficamos bestificados com nossa ignorância de coisas tão simples e
essenciais.

Bem que os antigos falavam da terapêutica musical. Casos de
instrumentos que abrandavam a fúria, curavam a surdez, a hipocondria e
saravam
até a mania de perseguição.

Bem que o pensamento místico hindu dizia que a vida se consubstancia
no universo com o primeiro som audível um Ré bemol e que a palavra só
surgiria mais tarde.

Bem que os pitagóricos, na Grécia, sustentavam que o universo era
uma partitura musical, que o intervalo musical entre a Terra e a Lua
era de um tom e que o cosmos era regido pela harmonia das esferas.

Os primitivos na Mongólia sabem disto. Os camelos também. Mas nós, os
pós-modernos cultivamos a rejeição, a ruptura e o ruído.

Haja professor de música para consertar isto...

terça-feira, outubro 25, 2005

pelo trabalhinho realizado... Posted by Picasa

ERA UMA VEZ...

Havia quatro funcionários chamados,
Toda-a-Gente,
Alguém,
Qualquer-Um
e Ninguém
trabalhavam na mesma Repartição.

Havia um trabalho importante para fazer eToda-a-Gente tinha a certeza que Alguém o faria.
Qualquer-Um podia fazê-lo, mas Ninguém o fez.
Alguém zangou-se porque era um trabalho para Toda-a-Gente.
Toda-a-Gente pensou que Qualquer-Um podia tê-lo feito,
mas Ninguém constatou que Toda-a-Gente não o faria.
No fim, Toda-a-Gente culpou Alguém, quando Ninguém fez o que
Qualquer-Um poderia ter feito.
Foi assim que apareceu o Deixa-Andar, um quinto funcionário para
evitar todos estes problemas...

quarta-feira, outubro 19, 2005

Pois é... os nossos governantes sabem,
por isso é que estão a querer que toda
a gente fale inglês. Muito bem! Posted by Picasa

VERDAD????

O ratinho estava na toca, encurralado pelo gato, que, do lado de fora,
miava:
- MIAU, MIAU, MIAU ...
O tempo passava e ele ouvia:
- MIAU, MIAU, MIAU ...
Depois de várias horas e já com muita fome o rato ouviu:
- AU! AU! AU!
Então deduziu: "Se há cão lá fora, o gato foi embora".
Saiu disparado em busca de comida.
Nem bem saiu da toca o gato NHAC! Inconformado, já na boca do gato
perguntou:
- Então gato! Porquê isto ?????
E o gato respondeu:
- Meu filho, neste mundo globalizado de hoje, quem não fala pelo menos
dois
idiomas morre de fome ...

domingo, outubro 16, 2005

Descobrir mundos... Posted by Picasa

Á MINHA PRIMA ZÉZÉ

Sempre foste humilde nos teus vôos; sempre foste insegura nos teus anseios!
Hoje, Mulher de vida inteira feita, Mulher forte e serena que soube não perder a doçura, apesar das amarguras que passaram por ti e deixaram marcas, pela nossa eterna amizade e cumplicidade, pelo teu medo de mostrar aos outros as coisas lindas que sempre escreveste, as canções lindas que sempre cantaste, as bonecas lindas que sempre me fizeste... por tudo isso e por tudo o que não vale a pena referir...mesmo que fiques aborrecida comigo, tomei a liberdade de te publicar! E para que todos os meus leitores saibam, eu gostei do que a minha prima, viajante sonhadora deste mundo e de outros, escreveu e que aí vai....

"Apenas com o olhar para um atlas à frente,
viajamos como se fossemos um deus em férias,
imaginando os oceanos a nossos pés

e o cantar das vozes das sereias antigas.


Cada ponto do mapa é uma esperança

com homens e animais a fazer-nos companhia,
com orações e preces a lembrar-nos a vida.
Essas vidas que continuam prisioneiras nos nossos corações.


continuando...........

O vento beija o cimo das montanhas

e as plantas são um incêndio de cores
na volupia dos sentimentos
que nos encandeiam com o sol,

o mundo e as flores.

E sentindo a vida dentro do nosso sangue

e o amor a viajar em corpos sãos,
como se fossem todas as coisas prometidas
e esse mundo coubesse
na palma das nossas mãos..."


Porto, 16/10/2oo5

sábado, outubro 15, 2005

Ajudem! Posted by Picasa

PEDIDO DE AJUDA

O Instituto Português de Oncologia (IPO) está a angariar filmes VHS para os doentes da unidade de transplantes que estão em isolamento.
«São crianças e adultos que precisam de um transplante de medula e de estar ocupados durante o tempo de internamento», explica ao Portugal Diário a enfermeira responsável pela unidade, Elsa Oliveira. A «falta de "stocks"» torna necessária a ajuda da população: «Precisamos de filmes para as pessoas mais desfavorecidas que não têm possibilidade de os trazer. Algumas crianças trazem os seus próprios filmes e brinquedos mas depois quando têm alta levam-nos», acrescenta a enfermeira.
O IPO aceita todos os géneros de filmes, mas a preferência vai para a «comédia». Numa altura menos feliz das suas vidas, «um sorriso vai fazer bem a quem passa dias inteiros numa cama de hospital». Rir é sempre um bom remédio.
As cassetes de vídeo ou DVD's antigos podem ser enviadas para:
Instituto Português de Oncologia de Francisco Gentil
Rua Professor Lima Basto 1093 Lisboa Codex

Telefone: 217 266 785

Por favor vão passando palavra...
Detalhe de uma parte da peça.
Quixote e Sancho Pança conversam sobre as suas
intenções de procurar mudar o mundo e encontrar o Graal
que seria Dulcineia, a mulher sonhada...
Na outra foto, Quixote abatido e ferido de morte,
repensa os seus sonhos e as suas desilusões
agora que o fim se aproxima e a grande
verdade da sua solidão, vai chegar...
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HÁ NOITES MÁGICAS...

No Audório Municipal Lourdes Norberto,, em Linda-a-Velha(Edifício Piâmide) o meu amigo Armando Caldas é o mágico que consegue pôr em cena os sentimentos que nos fazem vibrar até às lágrimas, quando se propõe encenar o que já foi encenado milhentas vezes,mas que, com a sua imaginação de mestre e o seu amor pelo mundo onde vive e pelo país que é o nosso, fica transformado num sonho.

A propósito das comemorações dos 400 anos da publicacação do livro de Cervantes, D. Quixote de La Mancha, pôs em cena um espectaculo teatral que para além da magnífica prosa e loucura de Cervantes, foi enriquecido pela imaginação igualmente bela de Orson Wells e pelo desempenho magistral dos actores daquele Grupo Cénico, cuja riqueza espiritual e criativa é do que de melhor existe na nossa terra.!

Tive o grato prazer de assistir ao espectáculo e devo dizer que o vivi de alma e coração e até às lágrimas, a história do cavaleiro de triste figura e do seu escudeiro, Sancho Pança, duas figuras tão cada vez mais reais no nosso mundo do século XXI ! Em cada um de nós há um pouco de Quixote e um pouco de Sancho Pança, mas em cada um de nós não há a magistralidade das palavras que nos cercam como música, dos gestos que nos fazem esvoaçar como anjos, dos sentimentos que nos rodeiam de amores e desamores, como se subitamente este nosso mundo do sec. XXI tivesse parado no suspiro final daquele Sonhador imparável que através da sua loucura procurava encontrar força e coragem para lutar até ao encontro daa sua amada Dulcineia, a alma ideal e afim que todos procuramos e que raramente encontramos.

Frequento aquele Espaço já há algum tempo e sempre ali vi o que de melhor se faz em teatro em Portugal, mas este D. Quixote - o próprio actor e todo o elenco, em geral, transportaram-me a uma dimensão plena de doçura e encanto, misturada com a tristeza e a desilução da realidade que só sentem aqueles que verdadeiramente olham à volta e olham os moinhos monstruosos como gigantes em fúria, com os quais vamos tecendo as teias da nossa vida e lutando para que a liberdade que ganhámos não sucumba com os tentáculos dos monstros que Quixote pressentia e que nós, os modernos, sentimos todos os dias da nossa vida, cada vez mais perto de nós. Que as Dulcineias fazem parte do nosso imaginário, já todos sabemos, mas Quixotes precisam-se, urgentemente, para que possamos continuar a alimentar os sonhos de um mundo mais justo, mais igual, em que cada homem, cada mulher, cada criança, tenha direitos, deveres e oportunidades iguais e não se desvaneçam os sonhos sonhados numa clara manhã de Abril que derrubou os moinhos de ventos, gigantes adamastores dos nossos desencantos e dos nossos pesadelos....

Espero que todos possam ver a peça que ainda vai estar em cena mais duas semanas. Vale a pena ver e vale a pena aplaudir aquela gente cheia de garra e amor ao teatro, que afinal, é a reprodução da nossa própria vida e o espelho da nossa alma errante.

E termino com uma citação do Romeiro, que creio será do Orson Wells (é bem o estilo dele!), e que transcrevo:

"Bem haja quem inventou o sonho!
Capa que proteje todos os humanos pensamentos!
Manjar que tira a fome; água que apaga a sede;
Fogo que afasta o frio; frio que tempera o calor!
Enfim...moeda geral com que todas as coisas se compram..."



quinta-feira, outubro 13, 2005

Noite na minha praia... à luz do luar... Posted by Picasa

Lembrar Torga

Matei a lua e o luar difuso
Quero os versos de ferro e de cimento.
E em vez de rimas, uso
As consonâncias que há no sofrimento.

Universal e aberto, o meu instinto acode
A todo o coração que se debate aflito.
E luta como sabe e como pode:
Dá beleza e sentido a cada grito.

Miguel Torga

quarta-feira, outubro 12, 2005

O maior bem... Posted by Picasa

NÃO TE ESQUEÇAS DO PRINCIPAL

Conta a lenda que certa mulher pobre, com uma criança ao colo,
passando diante de uma caverna, escutou uma voz misteriosa que dizia
lá de dentro: -"Entra e apanha tudo o que desejares, mas não te
esqueças do principal.
Lembra-te, porém, de uma coisa:
Depois de saíres, a porta fechar-se-á para sempre.
Portanto, aproveita a oportunidade, mas não te esqueças do
principal..."
A mulher entrou na caverna e encontrou muitas riquezas.
Fascinada pelo ouro e pelas jóias, pôs a criança no chão e
começou a juntar, ansiosamente, tudo o que podia no avental.

A voz misteriosa falou novamente:
-"Já só tens oito minutos."
Esgotados os oito minutos, a mulher, carregada de ouro e de pedras
preciosas, correu para fora da caverna e a porta fechou-se...
Lembrou-se, então, de que a criança ficara lá dentro. Mas a porta já
estava fechada... para sempre! A riqueza durou pouco, e o desespero
sempre. Temos uns (oitenta?) anos para viver, neste mundo, e há uma
voz que nos adverte, de vez em quando:
-"Não te esqueças do principal!"

O principal são os valores espirituais, a família, os amigos, a vida!
Mas a ganância, a riqueza, os prazeres materiais fascinam-nos tanto
que o principal vai ficando sempre de lado... Assim, esgotamos o nosso
tempo aqui, e deixamos de lado o
essencial: "Os tesouros da alma!"
Quando a porta desta vida se fechar para nós, de nada valerão as
lamentações... Não te esqueças do principal!

domingo, outubro 09, 2005

Mas o que é isto??? Posted by Picasa

ELEIÇÕES ou O REI VAI NÚ??

Afinal tudo isto parece uma ópera buffa!
Que raio! A democracia é o grande sistema mas
traz-nos situações perfeitamente inesperadas!

Então afinal quem é que o povo considera corrupto?
Os votos foram-lhes dados e eles vão continuar no
poleiro...

Felgueiras e Gondomar e Oeiras gritam entusiasmados a vitória!
Mas que é isto? É um país surrealista ou é um país real???
Afinal os ditos, são mártires ou corruptos ou uma coisa e outra são
confundíveis???? ou confusas??? ou difusas???
Não há dúvida que o Rei vai nú!

Que sensaçãoooooo estranhaaaaaaaa!!!!!!!!!

sexta-feira, outubro 07, 2005

Pacto de Amizade

Pacto de amizade

Proibições pela Amizade...



Fica proibido chorar sem aprender,

Levantar-se um dia sem saber o que fazer,
Ter medo das tuas recordações.

Fica proibido não sorrir ante os problemas,
Não lutar pelo que queres,

Abandonar tudo por medo,
Não transformar em realidade os teus sonhos.

Fica proibido não demonstrar o teu amor,

Fazer com que alguém pague pelas tuas dúvidas e pelo teu mau humor.

Fica proibido deixar os teus amigos,

Não tentar compreender aquilo que viveram juntos,
Chamá-los somente quando precisas deles.


Fica proibido não seres tu perante todos,
Fingir para as pessoas que não te importas,
Esquecer todos os que te querem.
Fica proibido não fazer as coisas para ti mesmo,

Não fazeres o teu destino,
Ter medo da vida e dos teus compromissos,
Não viver cada dia como se fosse o último.

Fica proibido ter saudades de alguém sem se alegrar,
Esquecer os seus olhos, o seu sorriso,
Tudo porque os vossos caminhos deixaram de se abraçar,
Esquecer o teu passado e apagá-lo com o teu presente.

Fica proibido não tentar compreender as pessoas,
Pensar que as suas vidas valem mais que a tua,
Não saber que cada um tem o seu caminho.

Fica proibido não criar a tua história,
Não ter um momento para aqueles que precisam de ti,
Não compreender que o que a vida te dá, e também o que te toma.

Fica proibido não buscar a tua felicidade,
Não viver a tua vida com uma atitude positiva,
Não pensar naquilo em que podemos ser melhores,

Não sentir que sem ti este mundo não seria igual.

Beijitos para cada um de vós, meus queridos amigos!