quinta-feira, junho 30, 2005

Pleno Sol! Posted by Hello

OPÇÕES

Um Hindu chegou aos arredores de certa aldeia e aí sentou-se para dormir
debaixo de uma árvore.
Chega correndo, então, um habitante daquela aldeia e diz, quase sem fôlego:

- Aquela pedra ! Eu quero aquela pedra.

- Mas que pedra ? pergunta-lhe o Hindu.

- Ontem à noite eu vi meu Senhor Shiva e, num sonho, ele disse que eu viesse
aos arredores da cidade, ao pôr-do-sol; aí devia estar o Hindu que me daria
uma pedra muito grande e preciosa que me faria rico para sempre.

Então, o Hindu mexeu na sua trouxa, tirou a pedra e foi dizendo:
- Provavelmente é desta que ele lhe falou; encontrei-a num trilho da
floresta, alguns dias atrás; podes levá-la!
E assim falando, ofereceu-lhe a pedra.

O homem olhou maravilhado para a pedra.
Era um diamante e, talvez, o maior jamais visto no mundo.

Pegou, pois, o diamante e foi-se embora.
Mas, quando veio a noite, ele virava-se de um lado para o outro na cama, sem
conseguir dormir.
Então, rompendo o dia, foi ver novamente o Hindu e o despertou dizendo:

- Eu quero que me dê essa riqueza que lhe tornou possível desfazer-se de um
diamante tão grande assim, tão facilmente !

terça-feira, junho 28, 2005

Encantamento Posted by Hello

DESTRUIR

"A Gente sempre destrói aquilo que mais ama
em campo aberto ou numa emboscada.
Alguns com a beleza do carinho,
outros com a dureza das palavras.
Os covardes destroem com um beijo
e os valentes destroem com a espada."

Oscar Wilde

segunda-feira, junho 20, 2005

Não lamentes... Posted by Hello

Recordar Sophia


Bebido o luar, ébrios de horizontes,
Julgamos que viver era abraçar
O rumor dos pinhais, o azul dos montes
E todos os jardins verdes do mar.
Mas solitários somos e passamos,

Não são nossos os frutos nem as flores,
O céu e o mar apagam-se, exteriores
E tornam-se os fantasmas que sonhamos.
Porquê jardins que nós não colheremos,

Límpidos nas auroras a nascer,
Porquê o céu e o mar se não seremos
Nunca os deuses capazes de os viver.

Sophia de Mello Breyner Andersen

sexta-feira, junho 17, 2005

A planta do Amor(pintura de Dad) Posted by Hello

A FRAGILIDADE DAS FLORES

FRÁGEIS COMO FLORES SELVAGENS
ROMPEMOS O ÚTERO MATERNAL
NA PRESSA DE CHEGAR
AO JARDIM PROMETIDO DAS ILUSÕES
À TERRA DILACERADA POR ESPINHOS
DE DORIDAS RUBRAS ROSAS
QUE FAZEM DE NÓS OUTROS PROMETEUS
A EMPUNHAR A CHAMA OLÍMPICA DE ZEUS.

André Moa

terça-feira, junho 14, 2005

Adeus.... Posted by Hello

ADEUS

Já gastámos as palavras pela rua, meu amor,
e o que nos ficou não chega
para afastar o frio de quatro paredes.
Gastámos tudo menos o silêncio.
Gastámos os olhos com o sal das lágrimas,
gastámos as mãos à força de as apertarmos,
gastámos o relógio e as pedras das esquinas
em esperas inúteis.
Meto as mãos nas algibeiras e não encontro nada.
Antigamente tínhamos tanto para dar um ao outro;
era como se todas as coisas fossem minhas:
quanto mais te dava mais tinha para te dar.
Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes.
E eu acreditava.
Acreditava,
porque ao teu lado
todas as coisas eram possíveis.
Mas isso era no tempo dos segredos,
era no tempo em que o teu corpo era um aquário,
era no tempo em que os meus olhos
eram realmente peixes verdes.
Hoje são apenas os meus olhos.
É pouco mas é verdade,
uns olhos como todos os outros.
Já gastámos as palavras.
Quando agora digo: meu amor,
já não se passa absolutamente nada.
E no entanto, antes das palavras gastas,
tenho a certeza
de que todas as coisas estremeciam
só de murmurar o teu nome
no silêncio do meu coração.
Não temos já nada para dar.
Dentro de ti
não há nada que me peça água.
O passado é inútil como um trapo.
E já te disse: as palavras estão gastas.
Adeus.


Eugénio de Andrade

segunda-feira, junho 13, 2005

REQUIEM Posted by Hello

REQUIEM

Como é estranho que por estranha coincidência três dos homens que mais marcaram o Portugal resistente e depois o Portugal liberto tenham partido quase em simultâneo! O General Vasco Gonçalves, o poeta e escritor Eugénio de Andrade e o Homem que foi Álvaro Cunhal, o comunista em estado puro, como se costumava dizer, para além de pintor,e de escritor, partiram no seu tempo individual contado por relógios que tinham sido, concerteza, acertados simultâneamente. Como não lhes posso cantar um Requiem, espero que a memória destes bravos homens, todos diferentes, mas todos resistentes, perdure na nossa memória colectiva, pois, decididamente, eles marcaram as nossas vidas,embora de maneiras diferentes mas com um objectivo comum. Polémicos, amados por uns ,odiados por outros, mas certamente marcos de uma época que se fez com eles, esperançados sempre num futuro melhor para Portugal e para os portugueses!

sexta-feira, junho 10, 2005

quarta-feira, junho 08, 2005

segunda-feira, maio 23, 2005

Para que não se esqueça! Posted by Hello

A la recherche du temp perdu

Do meu amigo Elfo, recebi como comentário ao post "A nossa Amazónia", um testemunho que eu acho importante publicar na primeira página. Espero que ele não se importe! É importante não esquecer....

"Aos pés da minha cidade corria um ribeiro de águas límpidas onde costumávamos banhar-nos nos finais das tardes calmas de julho e agosto e na volta para casa levávamos sacos com trutas apanhadas à mão nos buracos das pedras.Hoje é um esgoto a céu aberto onde nem as rãs nem as cobras querem viver e os pássaros não descem para beber.Tenho vergonha de mostrar aquele ribeiro à minha filha pois acho que não fiz o suficiente para evitar que os "patos bravos" construíssem desalmadamente próximo do ribeiro.Herdámos o ribeiro e destruí-mo-lo sem deixar rasto para a geração que se seguia.
A serra dos meus encantos para onde os meus olhos se dirigiam quando saía de casa era de um verde forte com correntes de água que caíam do alto das montanhas e isso era uma coisa que estava presente todos os dias da minha infância, e, era tão certo e sagrado como as estrelas do céu nocturno. Quando, com o meu pai, nos deitávamos lado a lado na soleira da porta a olhar as estrelas, o meu pai sempre me dizia que não tentasse contar as estrelas pois isso causava "cravos" nas mãos.Hoje a serra é preta e cinzenta pelos incêndios causados pelo desmazêlo dos homens e eu... já não tenho o meu pai...Parece que uma força da natureza cuidava para que eu tivesse o melhor de tudo. Vivia na cidade e no campo e vi crescer a cidade e assisti ao desaparecimento do campo que deu lugar a um parque industrial e a uma auto-estrada. Os rebanhos de ovelhas desapareceram e nunca mais ouvi o balir dos anhos à minha porta nem o toque dos címbalos que anunciavam a chegada do pastor.Hoje moro num 3º andar num prédio onde nos meus tempos de menino era uma quinta que produzia alimentos e, quando me dirijo às compras tudo o que vejo à venda vem de países estrangeiros. O que é que é que eu digo à minha filha? que lhe usurpei a herança que era dela por direito? Sim, porque foi a minha geração que destruíu tudo o que ficou para trás.
A "nossa" Amazónia Posted by Hello

A AMAZÓNIA PORTUGUESA

Onde "postei" mais um artigo sobre a Amazónia e hoje, depois das precauções que já estão a ser tomadas e pela "abertura da época dos fogos" em Portugal, achei que era necessário que o grito de alerta português seja forte também!
Quem é que anda a queimar as nossas florestas?
Quem é que paga a quem para fazer isso?
Quem é que não respeita a nossa vida, destruindo tão vilmente o nosso país
em nome de interesses pessoais mesquinhos?
Quem é que continua a poluir os rios, as ribeiras, os riachos???
Gente que só pensa no lucro imediato, gente que não pensa no porvir, gente que não pensa que é uma herança que recebemos que devemos passar em boas condições aos que nos seguirem.
´Homens novos precisam-se! Mentalidades novas precisam-se! Homens da velha ordem pensam pequeno, não vêem que o bem só existe se for comum. Mentalidades tacanhas que só valorizam o imediato pertencem a um mundo em completa rotura!
Que saudades dos tempos das águas límpidas, dos verdes totais das florestas, agora doentes ou em vias de desapararecer. Que vai ser de nós? Eu sei que quem passa por este blog pensa como eu, mas nem por isso posso deixar em branco esta mágoa profunda de sentir que tudo quanto é belo e puro e inicial está a ser suprimido, a pouco e pouco, tirando-nos a liberdade de respirar ar puro, de beber a água cristalina das fontes de ouvir os pássaros, felizes, a chilrear nos galhos!
Gostava que as gerações futuras pudessem usufrir de tudo isso no real e não nas descrições dos escritores do meu país!

domingo, maio 22, 2005

Amazónia Posted by Hello

OS PULMÕES DA TERRA

Ainda a Amazónia!
Este tema preocupa-me muito por isso vou "postar" um artigo que me foi enviado por um amigo brasileiro que, tal como nós, está preocupado com a saúde do mundo e com a herança física que vamos deixar aos nossos filhos e aos nossos netos!

A assinatura do Protocolo de Quioto (que estabeleceu uma meta de redução de emissões para os países desenvolvidos correspondente a 5,2% em relação aos níveis de 1990), em 1997, até 2004, o Brasil já acrescentou umas 300 milhões de toneladas de carbono à atmosfera a mais em relação aos volumes que emitiria caso mantivesse a já elevada média de desmatamento dos anos 90. A prosseguir nesta escalada, o desmatamento na Amazônia poderá, por si só, comprometer boa parte dos esforços internacionais para a redução de emissões mesmo sendo cumpridas as metas de Quioto. . Não se pode comparar a responsabilidade do Brasil com a dos países desenvolvidos, que vêm poluindo a atmosfera há mais de 150 anos, na produção do efeito estufa,mas não se pode mais negar a sua absoluta responsabilidade em relação aos esforços atuais e futuros para se tentar mitigar as conseqüências do efeito estufa.
Significa dizer que, para além dos efeitos nocivos que provoca para o país e para os brasileiros, desperdiçando recursos florestais, reduzindo a sua biodiversidade e os recursos hídricos, afectando as condições climáticas locais, aumentando as doenças respiratórias e gerando passivos crescentes para as futuras gerações, o desmatamento na Amazônia tem impacto crescente sobre a situação do clima mundial.
A diplomacia brasileira teve um papel importante nos avanços até agora conseguidos internacionalmente no combate ao efeito estufa. A Convenção sobre a Mudança Climática da ONU foi assinada no Rio de Janeiro, em 1992. O Brasil esteve activo na formulação do Protocolo de Quioto e uma sua proposta levou à instituição do MDL – Mecanismo de Desenvolvimento Limpo. Estivemos entre os primeiros países a ratificar Quioto e a realizar o seu inventário nacional de emissões. Porém, a opção política de excluir o tratamento das emissões oriundas de desmatamento do escopo dos acordos internacionais (e do MDL, em particular), deixou o país sem instrumentos para trabalhar, neste âmbito, o seu principal fator de emissões.
O crescimento no ritmo do desmatamento significa, portanto, que estamos contribuindo como nunca para a deterioração do clima mundial, e que estaremos expostos, inevitavelmente, a crescentes e justificadas pressões internacionais. Além de incrementar as providências internas de combate ao desmatamento,e levar o tema, continuamente, ao plano internacional, buscando apoio concreto desta comunidade para compensá-las. Afinal, factores mundiais de mercado e o próprio efeito estufa contribuem para o desmatamento na Amazônia, e a sua eventual redução seria muito relevante para mitigar a crise climática mundial. Muito pior será sofrer pressões sem dispor de instrumentos para compartilhar e compensar os esforços em busca das soluções.

sábado, maio 21, 2005

Água! Água! Água! Posted by Hello

Ode à Água

Do meu amigo e grande poeta português André Moa, esta Ode à água:

SORRISO E CRISTAL
RIO E LÁGRIMA
CANTO E MÁGOA
ÁGUA ÁGUA ÁGUA

DO TEU BROTAR É QUE A VIDA SE SUSTENTA
O TEU CANTAR AS ALMAS DESSEDENTA
O TEU JORRAR É O PULSAR DO CORAÇÃO
O TEU ORVALHO É BRILHO SOLAR
FLOR EM BOTÃO
A TUA LIMPIDEZ É A FACE DA ALEGRIA
A TUA AUSÊNCIA FAZ DA TERRA
NATUREZA MORTA E FRIA
À TUA FRESCURA OS CORPOS VÃO BEBER
SAÚDE E PRAZER
À TUA LIQUIDEZ VAMOS BUSCAR
A ARTE E O SABOR DO VERBO AMAR

SORRISO E CRISTAL
RIO E LÁGRIMA
CANTO E MÁGOA

VIDA A NASCER DE ENTRE AS FRAGAS
CANÇÃO QUE O PÁSSARO REGURGITA
E O DESERTO DESESPERADAMENTE CHORA
BENÇÃO QUE A TERRA INTEIRA IMPLORA
ÁGUA ÁGUA ÁGUA


André Moa

segunda-feira, maio 16, 2005

net - mundo de enganos??? Posted by Hello
Depois de tanta coisa séria, hoje vou pôr um cartoon
para a risada! Riram????......
Mas isto é muito sério!!!!..................
Acontece muita vez...... gente que pensa que fala com um gentleman,
que afinal é cachorrão, mesmo!!!!

quarta-feira, maio 11, 2005

As flores Posted by Hello

As Flores

Já sentiste o perfume de uma flor?
Quando o teu coração for silenciado
pela voz da escuridão que teima em te iludir,
sente o perfume de uma flor...
Será suficiente para trazer à tona
que és tu a razão para a flor existir;
que és tu a razão para que nela esteja o perfume doce e sereno.
Na realidade, o que pareces tomar da flor
é o que habita no teu ser.
Não demores tanto para descobrir as flores que vivem em ti!
O nosso dia! Posted by Hello

terça-feira, maio 03, 2005

Amazónia Posted by Hello

AMAZÓNIA

Discurso do Ministro Brasileiro de Educação nos EUA...Este discurso merece ser lido, afinal não é todos os dias que um Brasileiro dá um "baile" educadíssimo aos Americanos...

Durante um debate numa universidade nos Estados Unidos actual Ministro da Educação CRISTOVAM BUARQUE, foi questionado sobre o que pensava da internacionalização da Amazónia (ideia que surge com alguma insistência nalguns sectores da sociedade americana e que muito incomoda os brasileiros). Um jovem americano fez a pergunta dizendo que esperava a resposta de um Humanista e não de um Brasileiro. Esta foi a resposta do Sr.CristovamBuarque:"De fato, como brasileiro eu simplesmente falaria contra a internacionalização da Amazónia. Por mais que nossos governos não tenham o devido c uidado com esse património, ele é nosso.Como humanista, sentindo o risco da degradação ambiental que sofre a Amazónia, posso imaginar a sua internacionalização, como também de tudo o mais que tem importância para a humanidade.Se a Amazónia, sob uma ética humanista, deve ser internacionalizada, internacionalizemos também as reservas de petróleo do mundo inteiro... O petróleo é tão importante para o bem-estar da humanidade quanto a Amazónia para o nosso futuro. Apesar disso, os donos das reservas sentem-se no direito de aumentar ou diminuir a extracção de petróleo e subir ou não o seu preço.Da mesma forma, o capital financeiro dos países ricos deveria ser internacionalizado. Se a Amazónia é uma reserva para todos os seres humanos, ela não pode ser queimada pela vontade de um dono, ou de um país. Queimar a Amazónia é tão grave quanto o desemprego provocado pelas decisões arbitrárias dos especuladores globais. Não podemos deixar que as reservas financeira s sirvam para queimar países inteiros na volúpia da especulação.Antes mesmo da Amazónia, eu gostaria de ver a internacionalização de todos os grandes museus do mundo. O Louvre não deve pertencer apenas à França. Cada museu do mundo é guardião das mais belas peças produzidas pelo génio humano. Não se pode deixar esse património cultural, como o património natural Amazónico, seja manipulado e destruído pelo gosto de um proprietário ou de um país.Não faz muito tempo, um milionário japonês, decidiu enterrar com ele, um quadro de um grande mestre. Antes disso, aquele quadro deveria ter sido internacionalizado.Durante este encontro, as Nações Unidas estão realizando o Fórum do Milénio, mas alguns presidentes de países tiveram dificuldades em comparecer por constrangimentos na fronteira dos EUA. Por isso, eu acho que Nova York, como sede das Nações Unidas, deve ser internacionalizada. Pelo menos Manhatan deveria pertencer a toda a humanidade. Assim como Paris, Ven eza, Roma, Londres, Rio de Janeiro, Brasília, Recife, cada cidade, com sua beleza específica, sua história do mundo, deveria pertencer ao mundo inteiro.Se os EUA querem internacionalizar a Amazónia, pelo risco de deixá-la nas mãos de brasileiros, internacionalizemos também todos os arsenais nucleares dos EUA. Até porque eles já demonstraram que são capazes de usar essas armas, provocando uma destruição milhares de vezes maior do que as lamentáveis queimadas feitas nas florestas do Brasil.Nos seus debates, os actuais candidatos à presidência dos EUA têm defendido a ideia de internacionalizar as reservas florestais do mundo em troca da dívida. Comecemos usando essa dívida para garantir que cada criança do Mundo tenha possibilidade de COMER e de ir à escola. Internacionalizemos as crianças tratando-as, todas elas, não importando o país onde nasceram, como património que merece cuidados do mundo inteiro. Ainda mais do que merece a Amazónia. Quando os dirigentes trat arem as crianças pobres do mundo como um património da Humanidade, eles não deixarão que elas trabalhem quando deveriam estudar, que morram quando deveriam viver.Como humanista, aceito defender a internacionalização do mundo. Mas, enquanto o mundo me tratar como brasileiro, lutarei para que a Amazónia seja nossa. Só nossa!

"ESTE DISCURSO NÃO FOI PUBLICADO. AJUDE-NOS A DIVULGÁ-LO
Porque acho que é muito importante ...Mais ainda, porque foi Censurado.
O sonho e a realidade Posted by Hello

O lugar mais maravilhoso do mundo...

Você pode sonhar, criar, desenhar e construir o lugar mais maravilhoso do mundo... Mas é necessário ter pessoas para transformar o seu sonho em realidade..."

(Walt Disney)
Bom dia a todos! Posted by Hello

UMA MUITO SUBTIL DIFERENÇA...

Um velho mecânico está a terminar a afinação do motor de um BMW. Nisto entra
na oficina o dono do carro, um cirurgião cardiologista muito conhecido.
— Bom dia, senhor Joaquim! Então, esse motor está pronto?
O mecânico vira-se para o médico e diz-lhe:
— Bom dia, doutor! Está mesmo quase. Já agora, posso fazer-lhe uma pergunta?
— Claro que sim...
— Deite uma espreitadela neste motor. Eu desmonto-o, abro-lhe o coração,
tiro-lhe as válvulas, conserto tudo, fecho-o, monto-o outra vez e volta a
trabalhar como se fosse novo!
Então porque é que eu ganho tão pouco e o senhor tanto, visto que o nosso
trabalho é quase o mesmo?
Ouvindo isto, o cirurgião sorri, inclina-se e diz baixinho ao ouvido do
mecânico:
— Tente fazer isso tudo com o motor a funcionar!

sábado, abril 30, 2005

olhar o mar... Posted by Hello

INFINITO

Abro a janela e olho o mar,
na minha frente a beleza, a grandiosidade
a lonjura.... o infinito...
Se os meus olhos se alongam para lá do horizonte,
porque é que a minha alma não consegue voar e fica aqui,
presa na gaiola que se reduz
ao canto minúsculo da minha janela???

segunda-feira, abril 25, 2005

Campo de papoilas Posted by Hello

SHIBOLET- metáfora para nos pôr a pensar, neste dia que passa....

Este texto foi-me enviado pelo Pedro! É lindo e espero que gostem muito, tanto como eu gostei. Neste dia, resolvi publicá-lo! Obrigada Pedro e beijinhossssssssss

Lá estava ele em mais uma chatíssima aula. Aliás, uma aula totalmente desprovida de interesse, sem qualquer aplicação prática ou sequer necessária no futuro. Desde a primeira aula (ou chamar-lhe-emos tortura?) que o seu único objectivo era a frequência no final de Janeiro. E depositava todas as suas esperanças de passar em apontamentos alheios e num livrinho mágico que acreditava ser mais precioso que todas as vezes em que ia a essa aula. O problema não era a aula (não se ponham com essas conclusões precipitadas que os ditos adultos gostam muito de tirar, não sei se por estarem cansados da vida, desiludidos com ela ou se nem chegaram a aprender como dela tirar proveito...). A aula pode ser uma coisa tão divertida e estimulante como uma conversa de café com os amigos... Tudo depende do professor (nem tudo... é claro que sem o nosso esforço e a nossa contribuição a aula nunca poderá resultar... aliás, como em muitas coisas na vida). Professor que, sem uma explicação plausível, se viu promovido a figura fulcral de uma aula. E, aproveitando-se da sua situação (muitas vezes até em desespero de causa), singulariza-a, tornando-a um espaço fechado e reservado, onde poucos ou nenhuns se conseguem imiscuir. O professor desempenha uma posição tão importante como a do aluno, embora com maior destaque. Tanto o professor, com a sua sabedoria académica e a sua mais larga experiência de vida como o aluno, com a sua vivacidade, a sua perspectiva inovadora e a sua ânsia pragmática são peças fundamentais da aula.
Mas como estava a dizer, este professor insiste em não “acessibilizar” as suas aulas. Ao empregar um discurso de extrema densidade e de uma abstracção ainda maior, por maior interesse e empenho que ponha na sua contribuição para a aula só consegue falhar. Ao seu desespero e frustração seguem-se o total alheamento e a própria alergia à aula.
Infelizmente esta é a realidade de muitas aulas. E o maior problema da Educação. Mesmo sem condições, sem dinheiro, sem apoios, sem incentivo, muitas vezes sem nada, o professor deve fazer o seu melhor. Deve dar o máximo para, se falhar, saber que falhou não por si mas por outros factores. Deve dar o seu melhor, o seu contributo para melhorar o estado das coisas. É a sua forma de cumprir a sua missão, de honrar-se a si mesmo e aos que beneficiarão do seu esforço como ser humano e racional.
E como não havia nada de mais interessante a fazer durante a aula e havia que rentabilizar o tempo começou a escrevinhar um conto...

O rapaz que ouvia canções de sonhar

Era uma vez uma morsa chamada Shibolet. Shibolet vivia no Pólo Norte, juntamente com a sua numerosa família: o seu irmão Peirce, a sua irmã Pregnância, o seu pai Análogon e a sua mãe Sémeion.
Como estava farto do frio do Pólo Norte, Shibolet resolveu partir em busca do calor e de novas paragens. Partiu então em direcção ao Sul. Desceu pela Gronelândia e deparou-se com o mar vastíssimo. Como ultrapassar tal barreira? Viu então que havia carreiras regulares da TransAtlântico, entre a Gronelândia e Reykjavik, na Islândia. Decidiu-se e embarcou. No barco encontrou muita gente. Uma gaivota inglesa, que se chamava Gladys, foi a primeira que o cumprimentou. Disse-lhe que conhecia aquela travessia como as penas das suas asas, já que estava sempre a fazê-la. Isto porque, uma vez saída de Dover, a sua terra natal, limítrofe com Calais, no verdadeiro Velho Continente, Gladys perdeu-se nas Highlands e foi parar à Islândia. A partir daí tudo esqueceu e andava desorientada naquele barco, de Reykjavik para a Gronelândia, da Gronelândia para Reykjavik,...
A segunda criatura que Shibolet conheceu foi um gafanhoto bem verdinho chamado Tomé. Enrolado num cachecol vermelho, gorro enfiado na cabeça, Tomé tiritava de frio. Mas, como dizia, amiúde, o frio, nem que fosse um glaciar maior do que o mundo, nunca o venceria, nunca venceria o seu sonho de atravessar o planeta de norte a sul, qual Willy Fogg da nossa era. Nascido no seio de uma família da alta burguesia, Tomé queria conhecer o mundo tal como ele é; não apenas da janela dourada do seu palácio. Um sonho e um desafio nobres. Nobres de valor moral... e nobres de valor monetário. Mas quem mais o fascinou foi Wicca, uma loba de olhos cristalinos, mais profundamente azuis do que um coral do Cabo Espichel. Wicca nasceu em Budapeste, mais propriamente em Buda. Paradoxalmente desiludida e esperançosa com a queda do Comunismo, Wicca partia agora em busca da felicidade; mas uma felicidade que ela não sabia muito bem o que era. Já tinha ido à Austrália, à Grande Barreira dos Corais (donde, quem sabe, lhe ficou a profundidade do azul dos seus olhos), já tinha ido à Índia, local muito na moda para retiros espirituais, já tinha ido à Patagónia, ao chamado “fim do mundo”, e tal como o nome indica, nada encontrou. E agora estava aqui, vinda do Estreito de Bering, onde tentara perceber se o Capitalismo e o Comunismo, aí tão próximos, eram realmente tão diferentes nas suas ambições.
E é a partir daqui que a viagem de Shibolet ganha um novo significado. Aliado à busca, ao conhecimento do mundo, surge agora o desejo de encontrar essa tal felicidade. Soube que a partir daí não mais abandonaria Wicca.
E entretanto chegámos a Reykjavik. O barco atracou e Shibolet, Wicca, Gladys e Tomé saltaram para o cais, juntamente com meia dúzia de passageiros. A primeira imagem da cidade era a de um caldeirão, daqueles que estamos habituados a imaginar quando ouvimos histórias de bruxas. O fumo das chaminés, das furnas, das caldeiras criavam essa atmosfera. Mas era o calor que emanava das casas em choque com o frio que fazia aquela fumarada toda. “Anda daí!”, disse-lhe Wicca. “Onde vamos?”. “Segue-me e confia em mim!”.
Chegaram a um sítio que lembrava uma banheira gigante, com água borbulhante e esverdeada. Wicca mergulhou e ficou a olhar para Shibolet. “Então? Não me digas que tens frio! Ou medo...”. Dominado por uma fúria juvenil Shibolet saltou violentamente para a água.
E então olha à sua volta e vislumbra altas montanhas cobertas de neve, com o topo envolvido em misteriosas nuvens. O céu está escuro, carregado, prestes a rebentar em trovões e relâmpagos. Um estrondo ribomba, estremecendo as entranhas da Terra, e chuva gelada e cortante começa a cair. Mas Shibolet está mergulhado numa atmosfera de calor sufocantemente macio, e o quente vence finalmente o frio.
De repente Wicca mergulha e não volta à superfície. Preocupado e em pânico, Shibolet vai ao fundo. Sente que lhe puxam a perna e por momentos hesita: deverei resistir e emergir para a vida ou deixar-me ir e furar para a morte, em busca de um novo mundo? Invadido pelo desejo do desconhecido, mas preparado para o pior, deixa que o fundo o leve. Fechando os olhos com força vê o universo de estrelas brilhantes à sua frente, estrelas que progressivamente se apagam até o breu dominar.
Com as pálpebras doridas, abrindo primeiro o olho esquerdo e depois o direito, Shibolet ouve a voz de Wicca a chamá-lo. Um cheiro a mar sobe-lhe pelas narinas, lembrando-lhe a sua casa e a sua família no Pólo Norte, e acolhedores raios de sol acordam-no de vez. Recortada pela luz solar Wicca estava à sua frente.
“Segue-me e confia em mim!”. E correm ao longo da beira-mar. Correm quilómetros e quilómetros, sem que a praia acabasse. Finalmente chegam a uma gruta gigantesca, com uma entrada proporcionalmente inversa. Shibolet ia desafiar Wicca a entrarem, mas mal iniciou a sua frase já a loba tinha desaparecido no interior da rocha. Seguiu-a. O interior da gruta era constituído por uma espécie de hall de entrada, bastante largo e alto. No topo uma abertura permitia a comunicação com o mundo exterior e a passagem de luz. As paredes deste hall estavam revestidas por arbustos verdejantes, o que tornava a atmosfera bem fresca. Os raios brilhantes de sol que invadiam a sala de repente esfumaram-se, dando lugar a uma copiosa chuva. Shibolet e Wicca, como que impelidos por uma mola, dirigiram-se rapidamente para o centro do hall, onde podiam receber a água pura. Sentiam o líquido fluir pelos seus corpos e nunca se haviam sentido tão puros, tão próximos da Natureza, tão próximos da sua verdadeira essência. Durante alguns minutos a chuva continuou a cair, até que, aos poucos, foi abrandando, parando por completo. Um silêncio apenas cortado pela água a escorrer pelo verde das paredes, que dava origem a pingos que caíam como setas no chão da gruta, dominava a atmosfera. “Vamos.”, disse Wicca. Caminharam, e caminharam, e caminharam pelas galerias da gruta. Por fim acederam a uma sala em tudo semelhante ao hall de entrada, com a diferença residindo na abertura para o exterior, que era agora gigante, permitindo vislumbrar um deserto vastíssimo. Saíram. Dois camelos estavam a saciar a sede e a acumular reservas num pequeno oásis que existia à saída da gruta. “Já montaste um camelo?”. “Eu nem sei o que é um camelo, Wicca...”. “Então segue-me.”. Já acomodados no dorso de um camelo seguiram a sua viagem. O ar começou a encher-se de um fumo negro e pestilento que a eles se agarrava. No horizonte começaram a surgir várias chaminés fumegantes. “Chegámos a Ulaanbaatar, a capital da Mongólia”, esclareceu Wicca. Uma nuvem espessa e negra envolvia a cidade. Ao chegarem deparou-se-lhes um emaranhado de ruas, cujas fachadas dos prédios, escurecidas e gordurosas, não escondiam o interior decadente de uma das mais pobres nações do mundo. Os oleodutos, com o início da exploração do petróleo, começaram a invadir e a modificar a fisionomia da cidade há poucos anos, tornando-a ainda mais metálica e suja. Ao deparar-se com esta “natureza morta”, uns dos locais da Terra onde podemos vislumbrar o fim do mundo, Shibolet aprende o que não é a felicidade mas sim a miséria, e até onde o homem pode descer na perspectiva de uma salvação económica, nem que essa seja apenas uma magra e tímida hipótese. Ao vaguear pelas ruas, na sua maior parte vazias, mas por vezes cruzadas por seres “mortos-vivos”, sem alma nem espírito, sem rumo nem orientação, encontram um jovem enrolado em vestes tradicionais, recostado a uma fachada do que fora outrora o Banco Nacional da Mongólia, cujos vidros partidos enfatizavam a ruína a que a cidade e a nação mongóis tinham chegado. O jovem ouvia música através de um walkman, luxo da cultura e economia ocidentais. “Como te chamas?”. “Neste país já todos perdemos o nosso nome. De que serve ele se não há ninguém para entoá-lo, dar-lhe vida? Aqui não interessa como se chamam as coisas ou as pessoas. Aqui o que interessa saber é se amanhã estaremos cá...”. “O que ouves?”. “A única coisa que me faz não estar aqui, que me faz viajar pelo mundo perfeito; tomar banho numa praia de areia fina e branca, percorrer uma gruta, viajar pelo mar, conhecer o topo do mundo, enfim... A única coisa que me faz viver. Verdadeiramente!”
Já refeito do choque que foi a estadia na cidade negra de Ulaanbataar e depois de deixarem o rapaz que ouvia canções de sonhar Shibolet apercebeu-se o quanto afortunado era. Sentiu-se ligado ao rapaz que ouvia canções de sonhar. O rapaz que ouvia canções de sonhar vivera o mundo nos seus sonhos na sua imaginação. Também Shibolet tinha vivido o mundo. Verdadeiramente. Só que não o tinha percebido. Uma vontade irrefreável apoderou-se do seu espírito: queria voltar ao Pólo Norte. Aí também poderia viver o mundo, através da sua imaginação. Poderia ir aonde quisesse, e de cada vez que visitasse certo sítio poderia imaginá-lo diferente na próxima vez que lá voltasse. Um mundo infinitamente mais vasto estava ao seu alcance.
De volta a Reykjavik e às carreiras da TransAtlântico Shibolet reencontrou Gladys, sempre de trás para diante e de diante para trás. Encontrou também Tomé, que regressava a casa cansado e desiludido. Afinal o mundo não era tão perfeito como sempre lho tinham dito. Decidido a fazer algo regressava a casa para se despedir da família e de todos aqueles que lhe tinham incutido a imagem de um mundo mágico mas irreal. Queria despedir-se dessa gente e encetar um novo caminho. Estava convencido. Iria candidatar-se e ser o próximo Presidente dos Estados Unidos da América!
Já em casa Shibolet viveu angustiado por nunca poder viver as coisas na sua plenitude, mas ao mesmo tempo completamente feliz por estar sempre a descobrir algo de novo, por estar sempre a fazer erros e a aprender com eles. Aliás, nada lhe dava mais prazer do que fazer algo pela segunda vez, onde pudesse aplicar o que tinha aprendido primariamente.
De Wicca nunca mais ouviu falar. No entanto sentia que ela tinha encontrado o que sempre buscara, que ela estava feliz.
Shibolet e Wicca nunca mais se viram nesta vida terrena, embora tivessem permanecido ligados para sempre.


Pedro Marques
Cravos de Abril Posted by Hello