Para o meu coração, basta o teu peito.
Para a tua liberdade, bastam as minhas asas.
Da minha boca, chegaram até ao céu,
o que estava adormecido sobre a tua alma……
o que estava adormecido sobre a tua alma……
és, em ti, a ilusão de cada dia...
Chegas como o orvalho beija as pétalas.
Magoas o horizonte com a tua ausência,
Eternamente em fuga, como uma onda...
Disse-te que cantavas ao vento,
como o fazem os pinheiros e os eucaliptos….....
Como eles és alta e taciturna.
E entristeces de imediato...como numa viagem...
Como eles és alta e taciturna.
E entristeces de imediato...como numa viagem...
….
És acolhedora, como um velho caminho.
Povoam-te ecos e vozes nostálgicas.
...
Eu despertei e, às vezes, emigram e fogem pássaros
que dormiam na tua alma.
que dormiam na tua alma.

Pablo Neruda